Alexandre Rocha
São Paulo – O Brasil e o Marrocos querem aprofundar suas relações econômicas e comerciais. Este foi um dos principais assuntos tratados pelo chanceler marroquino, Mohamed Benaïssa, com seu colega brasileiro, Celso Amorim, em reunião na sexta-feira (20), em Brasília.
"O ministro Benaïssa demonstrou muito interesse em desenvolver esse intercâmbio e falou sobre oportunidades de negócios no Marrocos em alguns setores, como agricultura, turismo e infra-estrutura", disse o chefe do departamento da África do Itamaraty, Fernando Jacques de Magalhães Pimenta, que participou do encontro.
De acordo com ele, Amorim também falou sobre oportunidades no Brasil, por exemplo, no setor agrícola, especialmente na produção de álcool combustível, que passa por um período de expansão no país. Tal crescimento se deve ao aumento da demanda externa pelo produto, que pode ser utilizado como carburante menos poluente na gasolina, e ao consumo interno, ocasionado pelo sucesso dos carros bicombustíveis, que funcionam com álcool, ou com gasolina, ou com qualquer mistura dos dois.
Para explorar o potencial de comércio e parcerias, os dois ministros concordaram que é preciso organizar missões comerciais tão logo seja possível. Segundo comunicado conjunto divulgado pelo Itamaraty, um acordo de cooperação será assinado entre a Confederação Geral de Empresas do Marrocos e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil.
Os chanceleres falaram também da necessidade de continuar, "no mais breve prazo possível", as negociações entre o Mercosul e o Marrocos para um tratado de preferências tarifárias. O acordo-quadro que marcou o início desse processo foi assinado durante a visita do rei Mohammed VI ao Brasil em novembro de 2004.
Também como resultado da reunião, a Comissão Mista Brasil-Marrocos deverá se reunir pela primeira vez ainda neste semestre. Uma comissão mista bilateral reúne representantes de diversas áreas dos governos envolvidos e do setor privado, com o objetivo de debater e promover as relações entre dois países. Segundo o comunicado conjunto, a data do encontro ainda será marcada, mas ele vai ocorrer no Marrocos.
Os dois ministro conversaram também sobre a possibilidade de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Marrocos, em retribuição à viagem que o rei Mohammed VI fez ao Brasil. De acordo com Jacques, Lula tem interesse em visitar o país árabe, mas ainda é preciso definir uma data. "Há o interesse em definir isso o mais cedo possível", afirmou.
Na seara da cooperação técnica, os ministros falaram sobre o intercâmbio que já vem sendo desenvolvido em áreas como habitação, justiça, pesca e formação profissional. Eles decidiram agora dar prioridade à cooperação na pesquisa tecnológica e científica, segundo o comunicado divulgado pelo Itamaraty.
Diplomacia
Os chanceleres falaram também da necessidade de dar continuidade aos trabalhos da cúpula dos países árabes e sul-americanos, realizada no ano passado em Brasília. O Marrocos vai sediar a próxima edição do encontro de chefes de estado, em 2008.
Eles também conversaram sobre a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o comunicado divulgado pelo Itamaraty, os ministros reafirmaram que a reforma da ONU é "imprescindível" e Benaïssa reiterou o apoio de seu país à intenção do Brasil de ter direito a ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança.
Na sexta-feira Benaïssa também se encontrou com o vice-presidente, José Alencar, e o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. Sua passagem pelo Brasil fez parte de um tour pela América do Sul, que incluiu ainda Paraguai, Colômbia e Peru.

