Isaura Daniel
São Paulo – As relações com o Brasil são prioridade para o Sudão na América do Sul. Essa foi uma das afirmações feitas ontem (11) pelo subsecretário de Negócios Estrangeiros do país árabe, Mutrif Seddig, em entrevista à ANBA, durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Seddig chegou no Brasil no início desta semana e assinou um memorando de consultas políticas com o país. Ele foi recebido pelo chanceler brasileiro Celso Amorim.
De acordo com Seddig, o Sudão quer fazer da sua relação com o Brasil uma base, um exemplo a ser implementado depois em outros países da América do Sul. O memorando de entendimentos assinado servirá como mecanismo formal de diálogo entre os dois países. Ele estabelece a realização de reuniões periódicas entre os governos do Sudão e do Brasil, o que deve incentivar o aumento das relações diplomáticas e comerciais.
O Brasil vai abrir neste ano uma embaixada em Cartum, capital do Sudão. De acordo com informações do Itamaraty, ela deve ser inaugurada ainda neste primeiro semestre do ano. O governo brasileiro já nomeou o diplomata Hélio Magalhães de Mendonça para atuar como embaixador no país. O Sudão já possui embaixada em Brasília.
O país árabe está interessado em promover a cooperação sul-sul, segundo Seddig. De acordo com o subsecretário, o Brasil e o Sudão tem muitas similaridades, tais como a atuação na área agrícola e pecuária, como a criação de gado, e no setor de petróleo e gás. "Queremos trocar experiências com o Brasil, aprender com a experiência do Brasil", disse Seddig. Uma das idéias é que a Petrobras, companhia petrolífera do país, atue na exploração de petróleo off shore no Mar Vermelho.
O Sudão também tem muito interesse na tecnologia brasileira de produção de açúcar. De acordo com Seddig, a intenção dos sudaneses, além de comprar máquinas brasileiras para usinas, é atrair os investidores brasileiros do setor de açúcar para o seu país. O Sudão é um produtor de cana-de-açúcar. O país também produz, no campo, algodão, nozes e amendoim, sorgo, goma arábica, trigo, mandioca, manga, mamão, painço, banana, batata doce e gergelim, e cria ovelhas e bovinos.
O país árabe, que fica no Centro-Leste da África, quer diversificar os seus parceiros comerciais no mundo, segundo Seddig. "Temos uma política de diversificação de parcerias", afirma o sudanês. Atualmente os principais investidores estrangeiros presentes no Sudão são China, Índia, Malásia e Paquistão. No passado, era a Europa. As exportações do Brasil para o Sudão vêm crescendo. Passaram de US$ 2,5 milhões nos primeiros quatro meses de 2005 para US$ 14 milhões no mesmo período deste ano. Já as importações somaram apenas US$ 63 mil no período.
Seddig afirma que ficou muito satisfeito com sua viagem ao país. "O Brasil é um país que tem potencial, as pessoas são receptivas", afirma. O subsecretário afirma que agora é hora dos brasileiros visitarem também o Sudão. Ele convidou o ministro Celso Amorim para visitar o país. A Câmara Árabe levou, em fevereiro deste ano, empresas nacionais para a Feira Internacional de Cartum.
Seddig foi recebido na Câmara Árabe pelas lideranças da entidade, entre elas o presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr, o vice-presidente de Relações Internacionais Helmi Nasr, o secretário-geral Michel Alaby. Seddig recebeu de Nasr a tradução para o idioma árabe do livro "Novo Mundo nos Trópicos", de Gilberto Freyre, e o dicionário árabe-português. Os dois foram traduzidos e escritos, respectivamente, por Nasr.

