Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – O Brasil e a Arábia Saudita terão um conselho empresarial para trabalhar pela aproximação comercial dos dois países. A decisão foi tomada durante a estadia da delegação com 16 empresários do país árabe em São Paulo. O grupo desembarcou na capital paulista no final de semana e viajou ontem (23) para Brasília. O acordo será formatado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que acompanha a missão no Brasil, e assinado em breve. "Com a formação do conselho poderemos fazer reuniões periódicas focadas nos setores de interesse", diz o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr.
Os conselhos empresariais normalmente são formados por homens de negócios dos países envolvidos, além de lideranças setoriais e de entidades, que trabalham para fomentar o comércio e o investimento entre as duas regiões. A experiência dos conselhos empresariais com outros países, de acordo com Sarkis, vem mostrando que eles são efetivos para a aproximação comercial. A Câmara Árabe está à frente de conselhos dos empresários brasileiros com vários países do Oriente Médio e Norte da África como Egito, Tunísia e Síria.
A criação de um grupo empresarial da Arábia Saudita e Brasil deve ajudar os dois países a cumprirem as metas traçadas na missão. O chefe da delegação saudita, Ahmed Suliman Al-Romaih, deixou São Paulo, ontem, confiante de que as relações entre as duas regiões podem avançar bastante."Podemos caminhar juntos. O Brasil fazendo investimentos na Arábia Saudita e a Arábia Saudita no Brasil", afirmou à ANBA. Al-Romaih também citou setores no quais pode haver trocas comerciais. O Brasil, segundo ele, pode fornecer alimentos, aço, açúcar e máquinas para os sauditas, e os sauditas produtos petroquímicos e petróleo ao Brasil.
O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Antonio Fernando Bessa, também acredita na possibilidade de investimentos mútuos entre Brasil e Arábia Saudita. A delegação teve ontem pela manhã, antes de embarcar para Brasília, um encontro com Bessa e o vice-presidente da Fiesp, Elias Miguel Haddad, na sede da Federação. "A Arábia Saudita está em um momento de grande desenvolvimento em construção e infra-estrutura. Acho que há espaço para uma larga colaboração, com fornecimento de materiais e a formação de empresas mistas, no Brasil e na Arábia Saudita", disse Bessa à ANBA.
No começo da semana, a Saudi Basic Industries (Sabic), petroquímica estatal saudita, comprou a General Electric (GE) Plastics, divisão da multinacional dedicada à produção de resinas plásticas que tem operações no Brasil. A operação, que coloca o capital saudita dentro do Brasil, foi lembrada durante a visita à Fiesp. A GE Plastics está no Brasil desde 1987 e tem sede em Campinas, interior do estado de São Paulo. Bessa lembrou ainda que o comércio entre os dois países está crescendo: passou de US$ 1,6 bilhões em 1996 para US$ 3,1 bilhões no ano passado. Deste total, US$ 1,4 bilhão são exportações brasileiras e US$ 1,6 bilhão são vendas dos sauditas ao Brasil.
O Brasil
O diretor da Fiesp fez uma apresentação aos sauditas sobre a economia brasileira e deu informações como a auto-suficiência que o país conseguiu em petróleo no ano passado, e a implementação do programa de energia renovável, que já conta com 2,7 milhões de veículos usando o sistema bicombustível.
O Brasil produz ao redor de 17 bilhões de litros de etanol por ano e, segundo Bessa, o volume deve dobrar em cinco anos. Ele também falou aos sauditas sobre problemas que os industriais brasileiros enfrentam como a alta carga tributária e trabalhista e as deficiências em infra-estrutura. Haddad convidou, inclusive, os empresários árabes a investirem em projetos de infra-estrutura no Brasil.
Missão
O grupo de sauditas teve ontem pela noite, na capital federal, um jantar oferecido pela embaixada da Arábia Saudita. Hoje a delegação participa de rodadas de negócios na Federação das Indústrias do Distrito Federal e amanhã estará no Rio de Janeiro para encontros de negócios na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
Do Brasil o grupo seguirá para a Argentina. Em Brasília e no Rio de Janeiro o grupo é acompanhado pelo secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, e o analista de comércio exterior da entidade, Zein El-Abdine. Em São Paulo, além do encontro na Fiesp, os sauditas participaram de seminário e encontros de negócios na Câmara Árabe. Ontem Sarkis entregou ao chefe da delegação saudita uma placa de homenagem. Haddad entregou a Al-Romaih um livro sobre São Paulo.

