Isaura Daniel
São Paulo – O projeto de uma refinaria sírio-brasileira deve começar a ser implementado no próximo ano. A empresa brasileira Crystalsev e a Cargill África fizeram uma parceria com três empresas sírias, a Assaf Invest, a Sugar Invest e a Sugar Mezzanine, para construir uma refinaria de açúcar no país árabe, conforme anunciou a ANBA no início do ano passado. A iniciativa foi fruto da viagem realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos países árabes em dezembro de 2003.
Os planos iniciais eram de que a indústria entrasse em operação ainda na metade deste ano, o que acabou não ocorrendo. De acordo com o diretor da Crystalsev, Maurílio Biagi Filho, há possibilidade de que ela comece a ser construída no início do próximo, mas ainda não há data exata nem previsão de entrada em operação.
A refinaria terá uma capacidade de processar um milhão de toneladas de açúcar por ano. O açúcar em bruto será fornecido pelo Brasil, tanto pela Crystalsev, responsável pela venda de açúcar de nove usinas paulistas, quanto por outras empresas do mercado nacional. Serão investidos US$ 150 milhões na refinaria. Além das empresas sírias, uma financeira internacional participa do projeto. A Cargill terá 40% do negócio, a Crystalsev 10% e o restante do capital será das demais empresas. A Crystalsev vai fornecer os equipamentos e a tecnologia para a fábrica.
As empresas já possuem o terreno para a construção da refinaria, que ficará na cidade de Homs, centro industrial no país árabe. O açúcar, no entanto, não ficará apenas na Síria, mas será distribuído também na Jordânia e no Líbano. Os países árabes já são grandes importadores do açúcar brasileiro e têm uma demanda crescente pelo produto. "Estão sendo construídas muitas refinarias naquela região", diz Biagi. A Síria também produz açúcar em bruto, mas o produto é feito a partir de beterraba e a produção é pequena.
Entre janeiro e novembro deste ano, o Brasil faturou US$ 1,2 bilhão com vendas de açúcar para os árabes. O valor significou um aumento de 22,8% sobre o mesmo período do ano passado, quando a receita das exportações ficou em US$ 983 milhões. A venda de açúcar para a refinaria sírio-brasileira deve gerar um faturamento de US$ 200 milhões, de acordo com previsões feitas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, na época em que o projeto foi anunciado.
A Crystalsev, que será uma das fornecedoras do açúcar para a refinaria de Homs, fica em Ribeirão Preto e comercializa açúcar e álcool nos mercados interno e externo. Entre as usinas que operam para a empresa estão a Cia Energética Santa Elisa, a Açucareira Vale do Rosário, a Usina Moema, Mandu, Jardest e Destilaria Pioneiros. Entre os clientes da Cristalsev estão grandes indústrias alimentícias de setores como refrigerantes, chocolates, sorvetes, balas, sucos, gelatinas e geléias.

