São Paulo – O Ministério da Economia sírio decidiu criar um Conselho Empresarial Brasil-Síria e escolheu para presidi-lo, do lado do país árabe, o empresário Tarif Akhras, do grupo TAG, conglomerado que atua em diferentes ramos e tem vários negócios com companhias brasileiras. Para a parte do Brasil, foi convidado o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin.
O convite foi feito pelo encarregado de negócios da embaixada síria em Brasília, Ghassan Obeid, durante visita realizada nesta quinta-feira (11) à sede da Câmara Árabe, em São Paulo. Schahin, que já havia tratado da criação do conselho em viagem ao país árabe, em julho passado, aceitou o cargo.
"O objetivo do Conselho será ampliar as relações bilaterais de comércio e investimentos", afirmou Schahin. "O grupo vai se encontrar regularmente para verificar o que a Síria precisa do Brasil e o que o Brasil precisa da Síria", acrescentou Obeid.
Para o diplomata, os dois países têm interesses em comum e há boa vontade para fazer com que as boas relações existentes na seara política se reflitam no aumento do intercâmbio econômico. Ele destacou que este é um bom momento para buscar oportunidades de negócios em seu país.
Obeid recomendou a participação do Brasil em feiras de negócios na Síria como forma de marcar posição. "Mostrar para a Síria que o Brasil está presente", declarou. Em abril, a Câmara Árabe e o Itamaraty vão levar, pela primeira vez, empresas brasileiras para participar da Healthcare, mostra de equipamentos médicos e odontológicos que ocorre em Damasco.
Ele lembrou que a Síria escolheu 2010 como Ano da América Latina, e o Brasil é líder na região. "É muito importante tratar com o Brasil, com esperança que o relacionamento se fortaleça mais e mais", afirmou o diplomata, que fala português.
Além da formação do Conselho e das feiras, outra ação que os sírios querem realizar este ano é uma Semana Síria no Brasil. O objetivo do evento, programado para São Paulo, é divulgar principalmente atrações turísticas e aspectos culturais do país árabe. “Falta expor isso um pouco para convencer as pessoas a visitarem a Síria”, disse Obeid. No ano passado, mesmo durante a crise internacional, o país recebeu 6,1 milhões de turistas, segundo o Ministério do Turismo local, um aumento de 22% em relação a 2008.
O diplomata destacou ainda o posicionamento favorável do governo brasileiro às causas árabes, especialmente sobre a devolução dos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, incluindo as Colinas do Golã, na Síria.
Ele ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai visitar Israel, Palestina e Jordânia em março e que a relação “especial” que o presidente brasileiro tem com seu colega norte-americano, Barack Obama, pode fazer a diferença. “Esperamos que os assuntos da região passem a ser tratados de forma diferente”, afirmou.

