São Paulo- Com um crescimento de 7,5% em 2010, o Sudão quer atrair investimentos brasileiros. Já o Brasil quer aumentar suas relações comerciais com o país árabe em setores variados, como o da construção civil, por exemplo. Estes assuntos foram discutidos durante reunião entre empresários dos dois países realizada neste domingo (06), em Cartum, em evento promovido pela Federação das Associações de Empresários Sudaneses. As informações são do secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby.
A reunião contou com a participação de 12 empresários sudaneses, além do embaixador brasileiro em Cartum, Antônio Carlos do Nascimento Pedro, do encarregado de negócios da embaixada do Brasil, Krishna Mendes Monteiro, e de empresários brasileiros que estão no país participando da Feira Internacional de Cartum, que segue até quarta-feira (09).
Alaby relata que Ahmad Sid Ahmed Hassan, membro do conselho da Federação das Associações de Empresários Sudaneses, destacou as perspectivas de crescimento de seu país, apesar da separação de seu território em duas partes.
“Hassan disse que as previsões indicam que em 2011 o crescimento do Sudão estará entre 6,5% e 8% e, mesmo com a divisão do país, ele acredita que haverá oportunidades de investimentos e negócios de comércio exterior, tanto no norte quanto no sul”, conta o secretário-geral.
“O embaixador Pedro falou sobre o momento brasileiro em termos de comércio exterior, sobre o relacionamento comercial do Brasil com o Sudão, as perspectivas de negócios entre os dois países e a constante visita de missões do Brasil no Sudão e vice-versa”, explicou Alaby. Entre estas missões, está prevista a vinda de uma comitiva sudanesa ao Brasil em março para participação nas feiras Feicon-Batimat e Revestir, de construção civil. Neste período, as companhias sudanesas deverão contar com o apoio da Câmara Árabe para o agendamento de encontros empresariais.
Em outra reunião, que contou com 70 empresários de países da África e Oriente Médio, além do secretário-geral da Câmara Árabe e duas empresas brasileiras, o secretário-geral do Ministério dos Investimentos do Sudão, Mohamed Abdel Razig Abdel Aziz, apresentou os principais pontos da legislação sobre investimentos estrangeiros do Sudão e seus objetivos estratégicos, que incluem segurança alimentar, desenvolvimento das exportações e de oportunidades para o crescimento econômico do país.
Aziz apresentou também uma vasta lista de setores para os quais o Sudão quer atrair investimentos, como agricultura e produção de alimentos industrializados, logística e cadeia de refrigeração para alimentos, geração de energia hidroelétrica e biogás, turismo, além de atividades de infraestrutura, como construção de rodovias, pontes, saneamento básico, transporte de cabotagem, entre outros.
A feira
Durante o sábado (05) e o domingo (06), o estande da Câmara Árabe recebeu mais de dois mil visitantes, a maior parte interessada em calçados da Grandene. O estande reúne ainda a BRFoods, dona das marcas Sadia e Perdigão, de alimentos, Kepler Weber, que produz silos, Jumil, empresa de implementos agrícolas, Irriger, companhia que faz projetos de irrigação, e mais um engenheiro químico interessado em introduzir no Sudão a produção de tijolos ecológicos.
Entre os principais contatos realizados no estande estão Fathi Abu Elgasim Mustafa, gerente-geral da empresa Green Revolution for Agriculture, que conversou com os representantes da Kepler Weber e da Jumil; e Omer Marzoug, gerente-geral da Arab Sudanese Nile Agricultural Co.Ltd., responsável pela cessão de terras para a plantação de soja do Grupo Pinesso, do Mato Grosso do Sul, no Sudão. O executivo foi convidado para visitar a plantação do grupo no Brasil.

