São Paulo – O Brasil é atualmente um dos melhores lugares do mundo para se investir. A opinião é do banqueiro libanês Adnan Kassar, presidente da União Geral das Câmaras de Comércio, Indústria e Agricultura dos Países Árabes, entidade internacional à qual a Câmara de Comércio Árabe Brasileira é filiada. “Nós podemos ver o sucesso da comunidade árabe aqui”, disse ele ontem (16) à ANBA durante visita à sede da Câmara Árabe, em São Paulo.
Segundo ele, antes do estouro da crise financeira internacional, os investidores árabes tinham muita liquidez e buscavam oportunidades de negócios especialmente na Europa. Agora o Brasil tornou-se uma opção mais atraente. “Nós precisamos encorajar as pessoas a virem mais aqui, para mostrar as possibilidades que o país tem”, afirmou Kassar, que chegou a São Paulo a bordo de seu jato executivo Legacy 600, fabricado pela Embraer.
O empresário ressaltou que a crise atual não tem precedentes e criticou as autoridades dos Estados Unidos e da Europa por não terem tomado antes as medidas necessárias para minimizar seus efeitos. Ele deu como exemplo a quebra do banco Lehman Brothers, que não foi socorrido pelo governo norte-americano.
Kassar é presidente do Fransabank, mais antigo e um dos maiores bancos do Líbano, que ele adquiriu em 1980 em sociedade com seu irmão, Adel. Hoje, ele mesmo busca oportunidades de negócios no Brasil. “Estamos estudando diversos projetos”, disse o banqueiro, que foi o primeiro árabe a presidir a Câmara de Comércio Internacional, com sede em Paris, e já ocupou o cargo de ministro da Economia e Comércio do Líbano.
ANBA – Como o senhor vê a situação da economia mundial com a crise financeira?
Adnan Kassar – Em primeiro lugar, essa é uma crise que não tem precedentes. É uma infelicidade que as autoridades responsáveis, na Europa e nos Estados Unidos, não tenham visto os efeitos que ela poderia causar, não a trataram com profundidade. Ela se originou nos EUA, e eu acredito que o país deveria ter sido mais vigilante e tomado medidas mais adequadas, como por exemplo não deixar o banco Lehman Brothers quebrar. Isso iniciou uma perda de confiança ao redor do mundo.
E como ela afeta o mundo árabe?
Nós somos parte do mundo, então não há como não sermos afetados. Eu penso que existem muitos investimentos árabes na Europa, no mercado de capitais. Nesse sentido, há algum efeito negativo. Mas isso não significa que exista perigo, pois os bancos árabes são muito fortes e os governos têm os meios para se defender. Mas vai haver uma desaceleração na economia árabe.
O senhor acha que haverá diminuição no consumo?
Eu acho que as pessoas, num período de recessão e perdas, definitivamente vão consumir e gastar menos.
Hoje onde há maior potencial para as relações econômicas entre o Brasil e os países árabes?
Eu gostaria de dizer que o presidente Lula tem feito grandes esforços para encorajar essas relações. A sua idéia de criar um bloco da América Latina, com as regiões do Mediterrâneo e do Golfo [Cúpula América do Sul-Países Árabes] é algo que nós apoiamos, pois acreditamos que é uma boa iniciativa. Hoje o movimento vai em direção aos grupos economicamente importantes, temos a Europa de um lado, a América do Norte de outro, o Extremo Oriente de outro. Deveria haver um grupo amigo, de povos que se entendem. Acreditamos que estamos no caminho certo, mas ainda há muito a ser feito. As distâncias infelizmente deixam árabes e brasileiros longe um dos outros, mas nós, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, a Câmara de Comércio Brasil-Líbano, a União Geral das Câmaras, temos que aproximar essas pessoas, fazer com que elas se conheçam, organizar delegações, feiras. Antes dessa crise havia muito dinheiro árabe, eles estavam procurando possibilidades na Europa, e agora o Brasil é um dos melhores países para se investir, nós podemos ver o sucesso da comunidade árabe aqui. Então temos que fazer com que as pessoas se conheçam, é a única maneira.
O senhor acredita que os investimentos árabes no Brasil vão aumentar?
O Brasil é um país sempre tido como amigo e os árabes gostam de visitá-lo. Então nós precisamos encorajar as pessoas a virem mais aqui, para mostrar as possibilidades que o Brasil tem. Da mesma maneira, empresários brasileiros importantes podem participar do desenvolvimento do mundo árabe, que precisa de empresas de construção, tecnologias, etc. O setor privado brasileiro é muito forte.
E o senhor, tem interesses no Brasil?
Claro, nós estamos no momento estudando diversos projetos, principalmente no setor bancário, pois eu sou presidente de um grupo bancário, estamos buscando expandir nossas possibilidades no Brasil, e damos as boas-vindas aos bancos brasileiros que queiram entrar no Líbano.
O senhor tem um avião da Embraer, não?
Sim, eu sou um dos primeiros clientes que compraram o Legacy 600. Faz dois anos e estou muito satisfeito. Estou promovendo a Embraer no Oriente Médio. Eu tenho quatro amigos que compraram o Legacy também, na Jordânia, Arábia Saudita, Kuwait e também um na França. Estamos muito felizes com a empresa.

