São Paulo – As exportações de doces brasileiros ao Oriente Médio, no acumulado de janeiro a julho, cresceram 13% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita com as vendas chegou a US$ 6,1 milhões, contra US$ 5,4 milhões nos sete primeiros meses de 2010. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab).
De acordo com a vice-presidente de Exportação da Abicab, Solange Isidoro, o crescimento é um reflexo de investimentos do setor em promoção comercial nos países árabes. “Passamos a focar mais nesta região. Temos participado da Gulfood e isso tem rendido bons negócios aos parceiros da Abicab”, afirma. A Gulfood é a maior feira do setor de alimentos do Oriente Médio e acontece anualmente em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Nos últimos três anos a Abicab e seus associados marcaram presença no evento.
O maior comprador dos doces brasileiros no Oriente Médio foi o Iêmen, com US$ 1,7 milhão em importações, seguido por Líbano, com US$ 987 mil, Arábia Saudita (US$ 620 mil) e Emirados (US$ 606 mil). “O Iêmen é um grande consumidor dos produtos de confeitaria que nós chamamos de ‘non-chocolate’ (que não são feitos com chocolate)”, conta Solange. “Já os sauditas consomem bastante chocolate”, diz. Segundo ela, a renda per capita dos países afeta o tipo de doce que é mais consumido em cada um deles. “O chocolate é naturalmente um produto mais caro”, explica.
Em volume, o total das exportações do setor ao Oriente Médio nos sete primeiros meses de 2011 foi de 2,8 mil toneladas. Por segmento, os produtos mais vendidos à região foram as balas, com US$ 3,3 milhões, chocolates (US$ 2,3 milhões) e amendoins (US$ 606 mil).
De janeiro a julho deste ano, o total das exportações brasileiras do setor foi de US$ 192,5 milhões, com crescimento de 14% em relação aos sete primeiros meses de 2010. Segundo Solange, o aumento foi impulsionado pelas vendas de produtos com maior valor agregado, fator que também se aplica aos países do Oriente Médio.
“Temos uma grande concorrência, que é a da Turquia. Mesmo nos doces ‘non-chocolate’, começamos a exportar produtos de maior valor agregado para concorrer com os turcos”, revela. Em volume, o total de vendas externas foi de 73,6 mil toneladas.
Ela destaca que ainda não é possível dizer se a alta nas exportações do setor deve ser mantida até o final do ano, mas afirma que o mercado árabe é muito importante para as exportações brasileiras do setor. “É um mercado excelente para a confeitaria”, diz. “Nos últimos anos, a diplomacia brasileira tem aberto novos canais com os árabes e, quando você tem um governo que investe, você vai atrás”, completa.

