Agência Brasil
Brasília – A primeira fábrica de circuitos integrados (chips) da América Latina deverá ser instalada no Rio Grande do Sul, até abril do próximo ano. O projeto de implantação, desenvolvido pelo Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), em Porto Alegre, custou R$ 180 milhões, financiado com recursos de fundos setoriais.
O diretor-presidente da Ceitec, Sérgio Souza Dias, adiantou que a medida provisória concedendo incentivos fiscais para a indústria de semicondutores, a ser publicada na próxima semana, trará “um ambiente favorável para o desenvolvimento do setor, com a atração de empresas internacionais para o Brasil”.
De acordo com Dias, a implantação da fábrica da Ceitec será fundamental para a formação de mão-de-obra e qualificação profissional para oferecer às fábricas que vierem a se instalar no Brasil.
Genuinamente nacional, a fábrica será capaz de atender a 85% da tecnologia hoje desenvolvida na área de semicondutores. Só não produzirá memória de alta capacidade – pen drives, por exemplo; e microcontroladores, que são o cérebro dos computadores, como o Pentium.
A indústria desenvolverá chips utilizados nos mais diversos ramos da atividade econômica – dos computadores e automóveis até máquinas de lavar roupas.
Atualmente, disse o pesquisador, a indústria nacional desenvolve atividades relacionadas à montagem de kits de componentes eletrônicos. As empresas importam os componentes separadamente e apenas realizam a montagem final dos kits. “O mais importante é que vamos passar a internalizar a propriedade intelectual”, afirma Dias.
Na nova fábrica, serão cumpridas todas as etapas necessárias para o desenvolvimento dos chips, desde a pesquisa até a fabricação.
Segundo Dias, a isenção do imposto de importação sobre os insumos será fundamental para o desenvolvimento dos circuitos integrados. “O imposto para importação da lâmina de silício, que usamos para a produção dos chips, representam hoje 20% do custo”, justifica.

