Alexandre Rocha
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São Paulo – Os investimentos estrangeiros diretos (IED) na América Latina e Caribe bateram recorde no ano passado, chegando a quase US$ 106 bilhões, segundo informe sobre o tema divulgado ontem (08) pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas.
De acordo com a organização, o recorde anterior era de 1999, quando o fluxo de investimentos ficou em US$ 89 bilhões, impulsionado pelo processo de privatização de empresas estatais que ocorreu na região. No ano passado, porém, os fatores que atraíram os recursos externos foram o crescimento das economias locais e a forte demanda mundial pelos recursos naturais produzidos por aqui.
A entrada de IED na América Latina e Caribe em 2007 foi 46% superior a de 2006, o maior aumento entre as regiões em desenvolvimento, de acordo com a Cepal. A maior receptora de recursos no ano passado, porém, foi a Ásia, que ficou com 55% do total destinado às economias em desenvolvimento. A América Latina veio em segundo lugar, com 21%.
O Brasil foi o país da região que mais recebeu recursos estrangeiros em 2007, um total de US$ 34,6 bilhões, 84% a mais do que no ano anterior. Segundo a Cepal, o setor que mais recebeu investimentos foi o de serviços, seguido da indústria de transformação e da exploração de recursos naturais.
As fusões e aquisições de empresas tiveram participação importante na entrada de dinheiro também. Entre as principais operações ocorridas na região em 2007, a Cepal cita a compra de ações da ArcelorMittal Brasil pela matriz ArcelorMittal, da Índia, no valor de US$ 1,18 bilhão; a compra da companhia de informações financeiras Serasa pela irlandesa Experian Group, por US$ 1,2 bilhão; a aquisição da mineradora MMX Minas-Rio pela Anglo American, do Reino Unido, por US$ 1,15 bilhão; e a compra da rede Atacadão pela francesa Carrefour por US$ 1,1 bilhão.
Brasil, Chile, Colômbia e México foram responsáveis por 90% do crescimento do fluxo de IED para a região, segundo a Cepal. O México ficou em segundo entre os receptores, com entradas de US$ 23,23 bilhões, seguido do Chile, com US$ 14,46 bilhões, e Colômbia, com US$ 9,03 bilhões.
Se no caso do Brasil, o ramo de serviços foi o que mais recebeu dinheiro estrangeiro, no Chile e na Colômbia foi a exploração de recursos naturais, sendo no Chile a mineração e na Colômbia a área de petróleo e gás. No México, o maior destino dos investimentos foi a indústria de transformação.
As principais origens dos recursos aportados na região foram os Estados Unidos, Holanda e Espanha.
Outro lado
Na mão inversa, os investimentos diretos feitos por países latino-americanos no exterior foram de US$ 20,62 bilhões no ano passado, menos da metade dos US$ 42 bilhões de 2006. O Brasil novamente foi líder como origem dos recursos, com US$ 7,07 bilhões em investimentos em 2007, mas bem menos do que os US$ 28,2 bilhões do ano anterior. Os números de 2006, no entanto, foram bastante influenciados pela compra da mineradora canadense Inco pela brasileira Companhia Vale do Rio Doce.
No ano passado, as principais aquisições feitas por empresas brasileiras no exterior foram a compra das norte-americanas Chaparral Steel e Quanex Corporation pela siderúrgica Gerdau, no valor total de US$ 5,4 bilhões; a aquisição do frigorífico Swift & Co., dos Estados Unidos, pelo grupo JBS-Friboi por US$ 1,4 bilhão; além de aquisições na área de serviços para a indústria petrolífera feitas pela GP Investments por US$ 1 bilhão na Argentina e em outros países.

