São Paulo – O Brasil se tornou um país modelo em gestão de recursos hídricos e vai mostrar isso ao mundo no final deste mês, no Fórum Mundial da Água, que ocorre entre 16 e 22 de março, em Istambul, na Turquia. Há mais de dez anos o país começou a desenvolver uma gestão participativa para as suas bacias hidrográficas. O que ocorre, na prática, é que os governos federal e estaduais, usuários, universidades, organizações não-governamentais e municípios gerenciam juntos o uso das águas de rios.
A informação é de Benedito Braga, vice-presidente do Conselho Mundial da Água e diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), instituição ligada ao governo federal que coordena esse programa de gestão das águas no Brasil. De acordo com Benedito, já há no país a implementação do sistema em sete bacias federais e em 140 bacias estaduais. As estaduais são aquelas que estão dentro de um estado apenas e as federais as que fazem divisa entre os estados e estão, portanto, sob o braço do governo federal.
De acordo com Braga, o Brasil é um dos países que está mais desenvolvido na gestão de recursos hídricos e detém 12% da água doce no mundo. O diretor da ANA conta o caso do rio Verde Grande, que passa pelos estados de Minas Gerais e pela Bahia. Em função da disputa dos fazendeiros dos arredores pela utilização das águas, que faziam barreiras, retendo para seu proveito a água, ele ficou com licença de uso suspensa. A partir da implementação do sistema participativo, a água do rio voltou a ser utilizada.
O Brasil ainda adota outras ações na gestão das águas, como o uso de cisternas no Nordeste, onde as chuvas são concentradas. As cisternas permitem o armazenamento da água da chuva, a partir do telhado das residências, para os períodos de seca. Apesar do país ter o maior volume de água doce do mundo, 70% dela está na Amazônia, onde fica apenas 7% da população, enquanto o Nordeste tem 30% da população e só 3% da água.
De acordo com Braga, a principal discussão deste fórum é com o abastecimento de água e saneamento. Uma das preocupações centrais é a crescente urbanização do mundo. Também as mudanças climáticas estarão na agenda. O diretor da ANA explica que se houver uma gestão eficiente da água não haverá problemas de escassez dela no futuro. O objetivo do fórum de Istambul é justamente fazer com que as diferentes regiões do mundo compartilhem experiências na gestão e uso das águas para garantir sustentabilidade.
Dia árabe
Haverá no fórum um dia das Américas, da Europa, dos estados árabes, entre outros. De acordo com Braga, os árabes também têm grandes avanços na área de recursos hídricos e criaram, inclusive, o Conselho Árabe da Água. O Brasil levará, entre representantes dos governos, sociedade civil, iniciativa privada e políticos, ao redor de 150 pessoas para o encontro. Representantes de um total de 150 países são esperados para o encontro.
De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mais de 1 bilhão de pessoas não possuem acesso à água doce no mundo. Uma criança também morre a cada 19 segundos em conseqüência da falta de saneamento. O Fórum Mundial da Água é promovido desde 1997 pelo Conselho Mundial da Água a cada três anos. A primeira edição ocorreu em Marrakesh, no Marrocos.

