Dubai – Para promover e aumentar as exportações brasileiras do setor de alimentos no mercado árabe, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) apresentou neste sábado (21), em Dubai, o potencial dos setores de carnes, frutas, biscoitos, café, doces, orgânicos e vinho para mais de 100 importadores do Oriente Médio. “O Brasil é mais do que futebol, carnaval e Ronaldo. Temos uma população de 190 milhões de pessoas e temos muitas empresas para suprir essa demanda”, afirmou o gerente de projetos da Apex, Juarez Leal, na abertura do evento Sabores do Brasil.
Em sua apresentação, Leal falou aos árabes da economia brasileira, que é a décima do mundo, da diversidade, qualidade e sustentabilidade dos produtos alimentícios produzidos no país e das diferentes associações brasileiras que representam cada indústria do setor apresentado no evento. “Foi muito importante esse primeiro contato. Pudemos mostrar um pouco mais do Brasil que eles não conhecem”, disse à ANBA o gerente de projetos.
O varejo brasileiro movimentou no ano passado US$ 80 bilhões, o que representou 5,2% do Produto Interno Bruto do país. São mais de 74 mil lojas de varejo, sendo que os supermercados representam 91% do total dessas vendas. Entre algumas redes citadas no evento foram Carrefour, Wall Mart e Pão de Açúcar.
De acordo com Leal, o Brasil vem ocupando uma posição de destaque no comércio internacional, tornando-se líder na produção e exportação de diferentes produtos, como café, carne de frango, cana-de-açúcar e suco de frutas. “Estamos aqui para divulgar o potencial dos produtos brasileiros, não as commodities”, disse o gerente aos árabes. “Os Sabores do Brasil foi criado para apresentar o melhor das marcas brasileiras no Oriente Médio”, acrescentou.
Os produtos mais exportados para o mercado árabe são as carnes de frango e bovina. No ano passado, o Oriente Médio liderou as importações de carne de frango do Brasil, com embarques de 1,1 milhão de toneladas, gerando receita de US$ 1,9 bilhão. Segundo o assessor especial da presidência da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), Ricardo Santin, a entidade representa 27 empresas que são responsáveis por 92% da produção destinada ao exterior. Em 2008, as exportações brasileiras de carne renderam US$ 6,9 bilhões e foram embarcadas para 150 países. “Nosso objetivo é aumentar em 30% o nosso market share no Oriente Médio”, disse Santin.
A maior parte das perguntas realizadas pelos árabes durante a abertura do evento foi sobre o setor de carnes. Muitos já importam do Brasil e estão preocupados com o aumento do preço dos produtos. “Nossa expectativa é de que os nossos associados consigam manter os preços”, afirmou a gerente de marketing Monique Morata, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). No ano passado, as exportações brasileiras do produto somaram US$ 5,3 bilhões.
Do setor de frutas, a gerente executiva Valeska de Oliveira, do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), afirmou que nos últimos cinco anos as exportações do setor para o Oriente Médio cresceram 126%. O país já exporta para mais de 70 países e as vendas externas em 2008 renderam US$ 3,1 bilhão. Durante a apresentação do Ibraf, empresários perguntaram sobre o transporte de frutas para a região e quais as mais exportadas. Muitos ficaram curiosos e disseram ter interesse de começar a comprar do Brasil, como o Group of Thamer, da Arábia Saudita.
“Já importo do Brasil açúcar, frango, carne, café e têxtil e gostaria de comprar frutas também”, disse o presidente do grupo saudita, Jalal O. Thamer. Segundo ele, que já viajou diversas vezes ao Brasil, falta agressividade por parte dos brasileiros para entrar no mercado saudita. “Gostaria de ver mais empresários do Brasil na Arábia Saudita. Faltam escritórios comerciais de empresas brasileiras e mais agressividade”, disse Thamer, que importa mais de US$ 200 mil por ano em produtos brasileiros.
Outras entidades brasileiras que se apresentaram aos árabes foram a Associação Nacional das Indústrias de Biscoitos (ANIB); a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Câmara de Comercio Árabe Brasileira.
“O primeiro objetivo conseguimos hoje, que era mostrar que somos excelentes produtores e exportadores que temos como atender o mercado árabe”, concluiu Leal. Hoje à noite, a Apex vai oferecer um jantar a todos os importadores árabes, que vieram dos Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait, Jordânia, Catar, Barhein e Iêmen. O jantar será preparado pela chef brasileira Morena Leite, que é neta de libaneses. Domingo, a Apex inicia os encontros de negócios entre empresas brasileiras e árabes.

