Isaura Daniel
São Paulo – O Brasil vai mostrar o potencial da sua indústria da construção a partir de hoje (16) no Oriente Médio. Seis empresas e uma associação brasileira do setor participam da Big 5 Show, a maior feira de construção da região, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, entre hoje e o domingo (20). As empresas vão integrar um espaço organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em conjunto com a Agência de Promoção de Investimentos e Exportações do Brasil (Apex).
"Tivemos uma procura grande por parte das empresas. Nem pudemos atender a todos os pedidos", diz o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr. O interesse das indústrias brasileiras, de acordo com Sarkis, se deve ao momento de expansão da construção civil que vive o mundo árabe. "Os investimentos no setor imobiliário, em hotéis e residências na região, são muito grandes e as empresas já sabem disso", afirma.
Nos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), que são Bahrein, Omã, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e Kuwait, além do Iraque e do Irã, há 1,4 mil projetos de construção em andamento, de acordo com matéria publicada pela Emirates News Agency. Eles somam investimentos de US$ 700 bilhões.
De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, o número de visitantes e de negócios na Big 5 Show normalmente supera as expectativas. Alaby acredita que há potencial para fechamento de contratos na própria feira. "Nas outras edições sempre foram fechados negócios durante a mostra", lembra. Para o próximo ano, de acordo com Sarkis, a Câmara e a Apex já solicitaram aos organizadores da Big 5 Show um estande de, no mínimo, 300 metros quadrados.
As empresas que vão integrar o estande brasileiro nesta edição são a Soprano, fabricante de ferragens e equipamentos hidráulicos; a Braminas, de chapas e blocos de granito; a Antigua, de azulejos cerâmicos e esmaltados; a GA Pedras, de quartzito e ardósia; a Esul, de portas e janelas; e a Docol, de metais sanitários. Também a Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas) estará representada na feira.
Algumas das empresas já exportam para o mercado árabe. A Braminas, por exemplo, vende 40% da sua produção de Granito Vermelho Bragança, um tipo de granito encontrado no município de Bragança Paulista, para a Palestina. A GA Pedras exporta para os Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Já a Docol quer fazer da Big 5 uma porta de entrada para o mercado árabe. A empresa pretende apresentar na feira as suas torneiras de fechamento automático. A empresa é líder nesse segmento no mercado brasileiro.
A Antigua vai levar para a mostra os azulejos pintados à mão que fabrica em Araras, no interior de São Paulo. A empresa quer conseguir um distribuidor na região. A Soprano participa da mostra com a intenção de estabelecer parceiras de longo prazo no mundo árabe. A empresa exporta há dez anos e já está nos mercados do México, Argentina, Chile e África do Sul. A Abirochas estará pela terceira vez na Big 5 e vai apresentar o potencial das rochas brasileiras, principalmente dos granitos, que são bem aceitos na região.
O espaço brasileiro terá 85 metros quadrados. Cada empresa, porém, terá o seu estande dentro do espaço, para exposição de produtos e contatos com cliente. No ano passado a Big 5 Show recebeu cerca de 34 mil visitantes. Para este ano são esperados mais de dois mil expositores de 50 países.
Para a última segunda-feira (14) estava programada a visita das empresas brasileiras que estão em Dubai ao Salah Al-Din, o principal centro de lojas de materiais de construção da cidade. O grupo também tinha agendada uma visita, no mesmo dia, ao Ace Hardware, o maior varejo de construção civil de Dubai. O objetivo era conhecer de perto os canais de distribuição locais, verificar os preços, a qualidade dos produtos vendidos e a concorrência.

