Isaura Daniel, enviada especial
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Dubai – O Brasil vai mostrar ao Golfo Arábico, a partir de hoje (25), o potencial da sua indústria de construção. Um grupo com 29 empresas nacionais participa como expositor da terceira maior feira do setor no mundo, a Big 5 Show, que começa neste domingo e segue até a próxima quinta-feira (29), no World Trade Centre, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A participação brasileira é organizada pela Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em um espaço de 480 metros quadrados.
"É uma oportunidade única para estabelecer contatos, não apenas nos Emirados, mas no Golfo Arábico todo e também em países como Índia, Paquistão, Rússia, Ucrânia, Irã", diz o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que acompanha a feira juntamente com o presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr., o vice-presidente de Marketing, Rubens Hannun, e o diretor Wladimir Rafik Freua. A participação na mostra ocorre simultaneamente à visita de uma delegação empresarial ao Golfo Arábico, que começou no dia 18, já esteve no Kuwait, Catar e agora está nos Emirados.
Entre os expositores brasileiros, alguns dos quais também participam das atividades da missão, a expectativa é de fechar negócios e também de encontrar parceiros comerciais distribuir os seus produtos na região. "Nossa expectativa é fazer contato com construtoras e também encontrar um distribuidor para enviar nossas esquadrias em kits para cá", diz Sylvio Zuim Júnior, gerente industrial da Grávia, empresa brasileira de Goiás que vai mostrar na Big 5 Show esquadrias e produtos para iluminação. A empresa quer exportar as janelas e portas desmontadas ao mundo árabe para que elas sejam montadas por um parceiro antes da distribuição local.
A Docol Metais Sanitários vai exibir na feira de Dubai produtos que se encaixam com os empreendimentos de luxo que o Golfo está construindo. São peças como torneiras, cabides de banheiro e duchas com cristais Swarowzki. O gerente de negócios internacionais da companhia, Antonio Alves Pereira Júnior, também acredita na boa aceitação, no mercado local, de produtos de fechamento automático, já que a água é um recurso escasso na região, e vai exibir este tipo de peça. A Docol também quer encontrar um distribuidor em Dubai. No mundo árabe, a empresa já tem um na Argélia.
Outra empresa que pretende entrar no mercado do Golfo Arábico é a gaúcha Araupel. A Araupel não é expositora na feira, mas o representante da companhia na missão, o coordenador de vendas Gian Carlo Marodin, vai dedicar parte da sua estadia em Dubai para procurar negócios na mostra. A empresa fabrica molduras em madeira para guarnições de janelas, marco de porta, forros, quadros, entre outros. A Araupel produz as peças com araucária e pinos de reflorestamento e exporta 150 contêineres por mês. Quase toda a produção da empresa é vendida no exterior. A empresa ainda não está, porém, no mundo árabe. No mercado brasileiro, a Araupel também está começando a entrar agora. No Brasil são vendidos principalmente resíduos florestais, que geram receita de R$ 700 mil por mês para a companhia.
O espaço brasileiro terá produtos como cerâmica, mosaicos, vidros, mármores, granitos, esquadrias, ferramentas e produtos de cozinha feitos em diversas regiões do Brasil. Em frente a vários pontos de acesso do World Trade Center, onde ocorre a feira, banners com o símbolo da marca Brasil anunciam a presença nacional. Eles fazem parte de uma campanha da Apex-Brasil que indica os produtos brasileiros como uma nova alternativa. O estande foi projetado para passar a imagem do "Brasil produtivo", segundo o arquiteto Ivan Rezende, que criou o espaço. Ele está distribuído como uma grande praça, com estandes de cada uma das empresas, nas laterais.
A Apex-Brasil estima que sejam gerados US$ 8 milhões em negócios durante a própria feira e US$ 25 milhões no 12 meses seguintes. De acordo com Alaby, o histórico da participação brasileira na mostra é de geração de negócios. "Além disso, o objetivo da participação nacional da feira é também ver o que os concorrentes estão fazendo, as tendências tecnológicas, os preços", lembra Alaby. A participação brasileira tem apoio da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer) e Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (Abirochas). As duas outras maiores feiras do segmento ocorrem na Alemanha e nos Estados Unidos.

