Isaura Daniel
São Paulo – Começa hoje, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a 26ª Motexha Autumn, a maior feira de moda, calçados e acessórios do Oriente Médio. Três empresas, um estilista e uma associação de indústrias do Brasil vão mostrar suas criações em um estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB). É a primeira vez que a CCAB participa da feira. "Fizemos um estudo e percebemos que as exportações destes setores para os países árabes estão crescendo", diz o presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr.
As empresas brasileiras são a paulista Alchemy, fabricante de jóias e semijóias, a Moltec, indústria de acessórios de moda, a Sandálias Giovanna, o estilista Leonardo Chiasso e a Associação dos Calçadistas de Franca (Ascal), que vai representar fábricas do município de Franca. A Moltec, a Giovanna e Chiasso já vendem para os países árabes, mas estão interessados em ampliar as vendas. Já a Alchemy quer fazer da Motexha uma porta de entrada para o mercado local.
Os países árabes, principalmente os produtores de petróleo do Golfo Arábico, são grandes importadores de confecções e calçados. Nos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, as vendas de calçados alcançaram US$ 570 milhões no ano passado, dos quais 50% corresponderam a produtos importados.
Emirados, Arábia Saudita e Kuwait compraram de empresas estrangeiras, em 2004, US$ 600 milhões em calçados. As vendas do Brasil estão nessa cifra. "As indústrias brasileiras de calçados já têm uma participação importante como fornecedoras dos países árabes", diz Sarkis. Ele acredita, porém, que mesmo assim há espaço para crescer.
Esses mesmos três países, integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), importaram US$ 6,5 bilhões no ano em confecções. Várias empresas brasileiras também já são fornecedores de roupas para o Oriente Médio. O país vende para a região desde produtos de menor valor agregado, como toalhas, até vestidos de luxo. As peças assinadas por estilistas, de acordo com o presidente da CCAB, têm se destacado na balança.
Nos países árabes, o consumo é impulsionado por uma renda per capita alta. No Catar ela é de US$ 40 mil, nos Emirados US$ 20 mil, no Kuwait US$ 19 mil e no Bahrein US$ 15 mil. Se o Brasil quiser maior fatia desse mercado de consumo abastado, vai ter que brigar com tradicionais fornecedores da região, como os asiáticos e europeus.
No segmento de calçados, por exemplo, a Itália é a maior fornecedora de calçados e artigos de couro dos Emirados Árabes Unidos. China e Tailândia são os líderes de vendas de calçados em produtos sintéticos.
Também no segmento de roupas há desde os fornecedores de peças baratas, principalmente da Ásia, e os europeus com suas grifes ancoradas por lá. De acordo com Sarkis, porém, a indústria brasileira tem condições de competir com os estrangeiros.
A Motexha segue até a próxima quinta-feira (15). Na edição do ano passado, a feira recebeu 12 mil visitantes. Participaram da mostra 750 expositores de 35 países. O estande organizado pela CCAB, onde vão ficar as empresas brasileiras, terá 90 metros quadrados. Dois profissionais da entidade, dos setores de marketing e comércio exterior, estarão na feira para auxiliar nas negociações entre árabes e brasileiros.

