Brasília – Em entrevista exclusiva à Agência Brasil para analisar os reflexos políticos e econômicos da posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, afirmou que o Brasil não será necessariamente prejudicado pelo aumento das exportações americanas, que deverá ser estimulado pelo novo governo.
“Os Estados Unidos vão ter que fazer uma grande ajuste e não continuar a viver da poupança dos outros. Isso não é um problema para o Brasil , porque nossas exportações são extremamente diversificadas. Em geral, a liquidez mundial secará e nós teremos que andar com as nossas próprias pernas. Mas isso não é ruim, é bom, é a instigação para a reconstrução do Brasil. As soluções fáceis desaparecerão”, argumentou Unger.
O ministro defende que o Brasil dedique esforços à qualificação de suas pequenas e médias empresas, inclusive com possíveis parcerias com os EUA voltadas para a modernização tecnológica do setor.
“Não podemos pensar pelo viés de um neomercantilismo em que o objetivo é simplesmente exportar mais. Não é por aí. Temos que evitar imaginar que o país será mais próspero se virar uma combinação de grande fazenda, grande mina e uma montadora média. Isso não presta para o Brasil e é a aposta em trabalho barato”, afirmou Unger. “Vejo este momento histórico como um grande momento para o Brasil. Minha angústia é o Brasil ficar aquém por falta de imaginação e audácia. Tratemos de evitar esse desperdício”, acrescentou.

