São Paulo – A embaixada do Brasil em Riad não recebeu, até o final do expediente de hoje (25), qualquer comunicação oficial do governo da Arábia Saudita sobre suposto pedido de produtores locais de suspensão das importações de frango brasileiro. No último domingo, o jornal Al Yaum, da província de Dammam, publicou matéria dizendo que produtores sauditas pediram que o governo do país suspendesse as importações do Brasil e de outros países, sob a alegação de prática de dumping.
O embaixador brasileiro em Riad, Sérgio Luiz Canaes, disse à ANBA, por telefone, que não recebeu qualquer confirmação oficial sobre o pedido, nem do governo, nem de instituições privadas. Ele acrescentou que a embaixada está em constante contato com o Ministério da Agricultura saudita, pois está organizando visita de autoridades brasileiras da área ao país árabe e de representantes do ministério saudita ao Brasil.
“Nós temos trocado notas com o Ministério da Agricultura deles e, se houvesse uma acusação de dumping, nós teríamos recebido”, afirmou Canaes. A única informação que chegou à embaixada, segundo ele, foi a publicada pelo jornal de Dammam, que diz que o pedido foi feito por um grupo de mais de 300 produtores locais de frango.
Ocorre dumping quando o preço do produto no mercado externo é maior do que o praticado no mercado interno do país fornecedor. Segundo Canaes, são recorrentes as reclamações por parte de produtores sauditas. “O produto brasileiro é muito competitivo, você vai ao supermercado e marcas como Sadia e Perdigão são abundantes. São muito apreciadas”, declarou o diplomata. “Não é por outra razão que as reclamações são recorrentes”, acrescentou.
Nesse sentido, o embaixador relativizou a influência que um pedido dos produtores pode ter sobre o governo, já que, apesar de reclamações anteriores, não houve embargo às importações de frangos brasileiros.
A Arábia Saudita é o principal destino do frango brasileiro. Segundo informações do Ministério da Agricultura do Brasil, os embarques de frango in natura para lá renderam US$ 390 milhões de janeiro a julho, uma redução de 1,86% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em volume, porém, as exportações cresceram 30,84% e chegaram a 277 mil toneladas.

