Isaura Daniel
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São Paulo – Num futuro muito próximo vai ser difícil falar em soja transgênica sem fazer menção ao Brasil. Em três ou quatro anos as empresas de sementes devem começar a produzir um tipo de soja geneticamente mofidicada brasileira. O produto será resultado de uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pequisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, e da multinacional Basf. A companhia química alemã forneceu o gene ahas. A Embrapa o introduziu no genoma da soja. O resultado foi uma soja transgênica resistente a herbicidas da classe das imidazolinonas, que em poucos anos estará pronta para ser plantada pelos agricultores.
Quem está por trás do trabalho da Embrapa é o pesquisador Elibio Rech, carioca que está na instituição há 26 anos e tem pós-doutorado na área de biologia molecular e genética pela Universidade de Nottingham e Universidade de Oxford, da Inglaterra. Rech acredita que com três a quatro anos de mercado, a soja transgênica brasileira terá entre 10% e 20% do mercado mundial, o que trará para o Brasil alguns bons milhões de dólares em royaltes.
A soja brasileira será uma alternativa ao domínio da multinacional Monsanto, atualmente a única fornecedora de sementes de soja transgênica para agricultores brasileiros. A empresa detém metade do mercado de produtos geneticamente modificados do mundo.
O processo que gerou a soja brasileira foi patenteado em 1997 e segundo o pesquisador, outros países já manifestaram interesse em importar a tecnologia. Ou seja, as sementes de soja transgênica poderão tanto ser exportadas como vendida a sua tecnologia no exterior. O método, que usa processo de biobalística, está patenteado atualmente, segundo Rech, em mais de dez países. As pesquisas consumiram recursos de US$ 7 milhões da Basf. A multinacional alemã escolheu Elibio Rech e a Embrapa para desenvolver a soja transgênica depois de uma avaliação de diversos pesquisadores e institutos mundo afora. O produto é resistente ao herbicida que é produzido pela Basf.
O pesquisador da Embrapa, na verdade, começou a trabalhar com o tema antes mesmo da parceria com a multinacional alemã, que começou em 1990. A biobalística como forma de chegar a sementes de soja transgênicas já era objeto do seu estudo no período em que morou e estudou na Inglaterra, entre os anos de 1986 e 1990. Além do pós-doutorado, Rech fez o seu doutorado, na mesma área que o pós-doutorado, também no país europeu, na Universidade de Notingham. Antes fez mestrado em Fitopatologia na Universidade de Brasília (UnB) e graduação em Engenharia Agronômica na mesma instituição. O estudo na Inglaterra foi uma aposta da Embrapa em Rech, que trabalha na empresa desde 1981.
Quando voltou para o Brasil, em 1990, o pesquisador ajudou a desenvolver cursos de mestrado e doutorado no país voltados para as tecnologias que absorveu na Europa. Hoje, Elibio Rech é líder das pesquisas com soja, além de outras áreas, no Laboratório de Transferência de Genes da unidade de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa. Nascido no Rio de Janeiro, agora o pesquisador está prestes a se transformar no homem que colocou o Brasil e uma das suas principais empresas públicas na vanguarda do mercado mundial de soja transgênica. Em 2006, a produção de transgênicos gerou uma receita de US$ 6 bilhões e ocupou uma área de 100 milhões de hectares no mundo.

