Isaura Daniel
São Paulo – O embaixador brasileiro na Arábia Saudita, Isnard Penha Brasil Júnior, quer fazer do Brasil uma opção para estudantes sauditas de pós-graduação na área de ciência e tecnologia. O diplomata começou a discutir, em janeiro, com representantes dos governos federal e estaduais e de outras instituições brasileiras, a possibilidade de um intercâmbio entre Brasil e Arábia Saudita na área educacional. A idéia é que os sauditas venham ao Brasil fazer mestrado e doutorado em ciência e tecnologia e que o país árabe também invista nas instituições brasileiras que oferecem esse tipo de ensino.
O Brasil, segundo o embaixador, tem uma grande capacidade de ensino na área de ciência e tecnologia. "Podemos apresentar essas oportunidades, usar nossa capacidade de ensino e receber deles investimentos nesta área", afirmou Isnard em entrevista à ANBA. Atualmente os sauditas estão encontrando dificuldades de levar seus estudos adiante em regiões como Estados Unidos e Europa em função de negativas de vistos. Essas são justamente duas regiões nas quais os sauditas costumavam complementar os estudos.
A iniciativa do embaixador faz parte dos esforços para aumentar o intercâmbio entre Arábia Saudita e Brasil em função do acordo de livre comércio que será assinado pelo Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), blocos que os países integram. A idéia da cooperação educacional já foi apresentada pelo diplomata a representantes do GCC. "Eles acharam interessante a idéia. Vou conversar com eles novamente quando voltar", afirmou. Isnard chegou no Brasil em janeiro e retorna para a Arábia Saudita neste final de semana. Ele ficou no país justamente para discutir ações entre os dois países em função do tratado.
Isnard discutiu o projeto com representantes do Ministério de Ciência e Tecnologia e os governos do Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. Apesar de ter visitado os dois estados e o DF, o embaixador afirma que nada impede que outras regiões do país, como o Nordeste, participem do projeto. O diplomata, que também é embaixador do Brasil para Omã e Iêmen, acredita que o interesse dos sauditas deve ir de tecnologias da informação, até fibras óticas, engenharia genética e agricultura no semi-árido. O desenvolvimento do semi-árido é justamente uma das especialidades do Nordeste.
"Já despertei a idéia. Agora os setores que podem ter interesse nisso devem delinear os seus projetos específicos", afirma o embaixador. O capital saudita deve funcionar como suplemento ao ensino de pós-graduação no Brasil. Para receber os estudantes da Arábia Saudita, porém, os cursos teriam que ser dados em inglês. Isnard acredita que isso não será um problema. "Os alunos sauditas de pós-graduação falam em inglês e os professores brasileiros que trabalham com ciência e tecnologia também", afirma.
Em sua estadia no Brasil, Isnard também discutiu cooperação entre Brasil e Arábia Saudita em outras áreas, como o petróleo. Ele esteve reunido com representantes do Ministério de Minas e Energia. "Há interesse da Arábia Saudita em ter parceria com o Brasil porque eles estão se voltando para águas cada vez mais profundas e o Brasil é muito bom nisso", afirma. A Petrobras é líder mundial na exploração de petróleo em águas profundas.

