Isaura Daniel
São Paulo – O Brasil tem condições de dobrar as exportações de produtos lácteos para os países árabes no próximo ano. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Leite Brasil), Jorge Rubez. Dos US$ 78 milhões faturados pelo país com exportações do leite e derivados entre outubro do ano passado e setembro deste ano, US$ 27,5 milhões, ou 35%, vieram de países árabes. "Se trabalharmos bem, as exportações para os árabes poderão até dobrar no ano que vem", diz Rubez.
As vendas para a região devem ajudar o setor a fechar o ano com superávit na sua balança comercial, historicamente deficitária. Nos nove primeiros meses de 2003, por exemplo, o setor de lácteos teve um saldo negativo de US$ 57 milhões no comércio internacional. Nos nove primeiros meses deste ano, o déficit já caiu para US$ 4 milhões. As exportações, que estavam em US$ 28 milhões entre janeiro e setembro de 2003, alcançaram US$ 57,5 milhões no mesmo período deste ano, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Se forem levados em conta os últimos meses, porém, o setor já exporta mais do que importa. Em setembro, as vendas ficaram em US$ 8 milhões e as compras em US$ 7,2 milhões, o que gerou um saldo positivo US$ 820 mil. O presidente da Leite Brasil acredita que 2004 terminará com vendas externas próximas de US$ 100 milhões.
A cadeia exporta leite em pó, longa vida, creme de leite, iogurte, coalhadas, soro de leite, manteiga, leite condensado e queijos. As exportações são feitas por tradings do setor ou por grandes indústrias como Nestlé, Itambé e Elegê. A Itambé, por exemplo, já venceu uma licitação da Organização das Nações Unidas (ONU) para fornecer leite em pó ao Iraque.
O Oriente Médio e o norte da África devem continuar na lista dos principais destinos dos lácteos brasileiros. "A tendência é que as condições de vida melhorem nos países árabes e que eles comprem mais alimentos, o que nos dá condições de expandir o mercado para os produtos lácteos", diz Rubez. Entre os principais compradores do Brasil na região está o Iraque. O país gastou US$ 17,4 milhões com leite em pó brasileiro nos últimos doze meses até setembro.
Outro importador significativo é a Argélia, que comprou US$ 4,5 milhões em leite em pó no período. Também Emirados Árabes Unidos, Egito, Jordânia, Sudão, Arábia Saudita, Mauritânia, Líbano, Tunísia, Marrocos, Omã, Iêmen e Líbia compram produtos lácteos brasileiros.
Mais leite no Brasil
A diminuição do déficit na balança comercial brasileira de lácteos só foi possível graças a um aumento na produção brasileira de leite. O país deve fechar o ano com 23,5 bilhões de litros produzidos. No ano passado, a produção ficou em 21,8 bilhões. O ritmo de crescimento na produção deve continuar na casa dos 5% no ano que vem, de acordo com o presidente da Leite Brasil. Se a produção ficar no volume previsto, o aumento deste ano será de 7% sobre 2003.
"Como a produção aumentou, tivemos condições de usar o excedente para exportar", diz Rubez. Um grande incentivo ao aumento da produção leiteira no Brasil foi a medida antidumping aplicada contra a Argentina e o Uruguai em 2002, para que os dois países não vendessem no Brasil leite com preços inferiores aos aplicados em seus mercados internos. Também o leite importado da União Européia paga tarifa compensatória para não entrar no Brasil com preços muito baixos, em função dos subsídios que o bloco dá aos seus produtores.

