Da redação
São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem (19) ao conselho político, grupo formado pelos partidos governistas, que está negociando a importação de gás de outros mercados produtores diante da possibilidade de interrompimento da compra de gás da Bolívia. De acordo com notícia publicada no jornal O Globo, a Petrobras deverá enviar emissários a nações exportadoras de gás como Argélia e Líbia, além de Trinidad e Tobago, para conversar sobre fornecimento de de gás.
A ANBA publicou, há cerca de dois anos, matérias falando sobre a possibilidade de o Brasil importar gás da Argélia. O assunto foi discutido em missão feita pelo governo brasileiro ao país árabe em novembro de 2005. Em maio do ano passado, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou à reportagem da ANBA que o governo estava estudando a construção de usinas de regaseificação, que permitiriam o país importar gás de "qualquer lugar do mundo".
As usinas de regaseificação servem para transformar gás líquido em gasoso. Em caso de o produto ter como origem lugares distantes, como é o caso dos países árabes, o gás precisa ser transportado na forma líquida, em função da impossibilidade do uso de gasodutos. Nesse caso, o gás precisa ser transformado novamente para a forma gasosa quando chega no Brasil.
O governo já está construindo duas usinas regaseificadoras e vai acelerar as suas obras para permitir a importação do gás, de acordo com a reportagem do O Globo. Elas serão capazes de transformar cerca de 20 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O governo também estuda outras alternativas enquanto as usinas não ficam prontas, como a compra ou aluguel de um navio com uma regaseificadora.
O Brasil importa da Bolívia metade do gás que consome. Os dois países enfrentam dificuldade de consenso na discussão do fornecimento do gás. A Bolívia pretende estatizar a produção de gás no país – setor que é explorado pela companhia brasileira Petrobras – e ameaça retomar as refinarias sem a devida indenização à empresa. Se isso for feito, o governo deve interromper a compra de gás da Bolívia.

