Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil precisa importar mais. Essa foi a posição defendida ontem (04) pelo diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do banco Bradesco, Octávio de Barros, durante o 120º Encomex, encontro de comércio exterior que ocorreu em São Paulo. Barros afirmou diante de uma platéia formada especialmente por empresários, na sede da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, que o Brasil tem a menor importação sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do mundo.
Segundo Octávio de Barros, uma pesquisa realizada mensalmente pelo Bradesco junto a empresas nacionais aponta que as os setores que mais estão aumentando as suas importações são também os que mais estão elevando a sua produção. “Esse ciclo de importações do Brasil é promissor. Temos que aproveita-lo para ser mais agressivos nas exportações”, disse o diretor. A idéia é justamente que se importe insumos e tecnologia para produzir mais, a menor custo, e assim também poder exportar mais.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, um dos organizadores do Encomex, as importações brasileiras representam atualmente 8,5% do PIB. O percentual é considerado baixo por Barros, mas no passado ele chegou a ser menor. Em 1997 estava em 6,87%. “Está aumentando a participação das importações no PIB”, diz o diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Comércio Exterior do Ministério, Fábio Martins Faria.
O Brasil enfrenta atualmente aumento das importações, que estão crescendo mais que as exportações. De janeiro a agosto elas subiram 27,8% sobre os mesmos meses de 2006 e chegaram a US$ 74,9 bilhões. Já as exportações cresceram 15,9% para US$ 102,4 bilhões. “É um aumento virtuoso porque é basicamente de matérias-primas e produtos intermediários, que significam 50%, e de bens de capital, em torno de 20%”, disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, em coletiva à imprensa ontem durante o Encomex.
De acordo com Meziat estão sendo importadas, por exemplo, máquinas que não são produzidas no Brasil e que trazem, portanto, mais tecnologia para a indústria nacional e possibilidade de fabricar com mais qualidade e com menores custos. “Ao ofertar produtos aqui dentro mais baratos, você compete com a importação de produtos finais e também neutraliza um pouco a perda que está tendo por causa da apreciação do real”, disse Meziat. As importações brasileiras de matérias-primas e intermediários cresceram 28,5% entre janeiro e agosto deste ano, sobre os mesmos meses de 2006, e as de bens de capital avançaram 27,3%.

