São Paulo – Um mercado de alta liquidez, que atualmente administra US$ 1,2 trilhão, devendo chegar a US$ 2,6 trilhões em 2017. Este é o mercado de finanças islâmicas, nos quais estão inseridos todos os países muçulmanos, como os 22 árabes, além de potências asiáticas, como Malásia, Tailândia e Indonésia, e importantes mercados europeus, como Reino Unido e França.
“O mercado financeiro islâmico está aberto, e com essa quantidade de recursos que pode ser acessado, é preciso que se conheça”, destacou Ângela Martins, gerente regional para a América Latina do National Bank of Abu Dhabi (NBAD), durante o workshop Introdução às Finanças Islâmicas e ao Mercado de Capitais, realizado nesta quinta-feira (27), na Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Martins foi recebida por Silvia Antibas, diretora de Cultura, e Luis Conrado, diretor de Inteligência de Mercado da entidade. Na plateia havia representantes de grandes bancos e empresas nacionais.
No evento, Martins explicou a história e o funcionamento de algumas operações islâmicas e os princípios que as regem, como a proibição da usura e da especulação e a restrição a ações financeiras voltadas a determinados tipos de produtos, como álcool e carne de porco.
“O pagamento de juros não é permitido porque não se pode ganhar dinheiro simplesmente por ganhar dinheiro. Você tem que agregar valor a uma operação comercial. Com isso, seu ganho pode ser bem grande”, afirmou a executiva.
Para explicar como funciona esse tipo de operação, Martins deu um exemplo simples, de uma pessoa física que quer comprar uma casa e recorre a um banco islâmico. Em vez de emprestar o dinheiro à pessoa e cobrar juros de financiamento, como faria um banco tradicional, a instituição islâmica compra a casa à vista do vendedor e a revende ao comprador a prazo, colocando um valor extra no pagamento, como lucro de sua facilitação do negócio.
“Pelo fato de comprar à vista e vender a prazo, ele tem direito a ter um lucro”, diz Martins. Segundo ela, a compra de um imóvel praticamente não implica em riscos ao banco, mas em todas as operações de compra e venda, como de mercadorias, por exemplo, o risco do negócio é assumido igualmente pelo banco e pelo cliente. “Se ganhar, ganham os dois juntos, se perder, perdem os dois juntos”, afirma.
Ela lembrou que o primeiro banco islâmico foi fundado no Egito, em 1963. No Brasil, as instituições nacionais que queiram atuar neste mercado podem operar com bancos estrangeiros que atuam na área. “Trabalhamos com bancos brasileiros que são nossos parceiros. O importante é que haja interesse, que se busque informação para que não se perca as oportunidades que existem no mercado islâmico”, destacou.


