Alexandre Rocha
São Paulo – O Brasil espera este ano ter uma produção recorde de castanha de caju. De acordo com dados do setor, podem ser produzidas até 300 mil toneladas na colheita atual, que começou na segunda quinzena de setembro e deve ir até novembro. "Este ano a colheita atrasou um pouco porque o período de chuvas demorou mais a terminar, mas isso também melhorou a produtividade", disse à ANBA a técnica do produto na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Débora de Moura.
E como a castanha de caju é uma mercadoria majoritariamente destinada ao mercado externo, as perspectivas são também de aumento nas exportações. De acordo com Débora, cerca de 85% da produção vai para o exterior em forma de "amêndoa" de castanha de caju, ou seja, do produto já beneficiado.
No ano passado, segundo Débora, a produção foi de 160 mil toneladas. Cada tonelada de castanha in natura rende 230 quilos de amêndoas, o que de fato é consumido. Em 2005 foram exportadas 41 mil toneladas, ante 47 mil em 2004 e 40 mil em 2003. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial, atrás da Índia e do Vietnã.
O principal destino das castanhas brasileiras são os Estados Unidos, seguidos de longe pela Europa e depois pelo Canadá, segundo Débora. Os países árabes também compram. No ano passado, foram embarcadas para lá 1,5 mil toneladas, o equivalente a US$ 6,2 milhões.
Na avaliação de Débora, a produção, que já vem crescendo ao longo dos anos, deverá continuar a aumentar nos próximos. Isto porque devem começar a produzir frutos as plantas da variedade "anão precoce", desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que se adaptaram a algumas regiões produtores e têm uma produtividade maior do que as árvores tradicionais.
A produção de caju está concentrada na região Nordeste do Brasil, sendo que os três maiores estados produtores são Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, com colheitas menores no Maranhão, Paraíba e Bahia. O caju é uma cultura desenvolvida geralmente por pequenos produtores, mesmo que grandes empresas atuem na sua industrialização.
A castanha é consumida como petisco, como são os amendoins, pistaches e etc., e também utilizada na indústria alimentícia como ingrediente de chocolates e sorvetes. Além da castanha, a polpa do caju dá um ótimo suco.

