São Paulo – O Brasil é o segundo maior exportador mundial de produtos agrícolas, mas será o principal responsável por atender a demanda adicional por alimentos nos próximos dez anos, segundo o relatório Perspectivas Agrícolas 2015-2024, divulgado nesta quarta-feira (01) pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). O estudo dedica um capítulo especial ao país.
“Nós esperamos que o Brasil seja o maior fornecedor a atender a demanda adicional por alimentos no mundo”, disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, em coletiva de imprensa realizada na sede da entidade em Paris. Como exemplo, ele informou que a demanda por oleaginosas na China deverá aumentar 80% no período, sendo que metade desse consumo poderá ser suprida pelo Brasil.
Ele destacou que o avanço da produção para atender o crescimento do mercado virá mais dos ganhos de produtividade do que do aumento da área utilizada pelas culturas. Segundo o relatório, a área plantada no Brasil deverá chegar a 69,4 milhões de hectares até 2014, um aumento de 20% sobre a média observada de 2012 a 2014.
As oleaginosas, principalmente a soja, vão continuar a dominar o cenário e podem ocupar quase metade dessa área extra. O crescimento médio da produção destes grãos está previsto em 2,5% ao ano até 108 milhões de toneladas.
O relatório aposta também que mais pastagens serão transformadas em plantações no período e a pecuária se tornará mais intensiva.
As projeções refletem os ganhos que o País teve no campo nas últimas décadas. Gurría destacou que a produção agrícola brasileira dobrou desde 1990, e a pecuária triplicou.
A expectativa é que um pequeno número de países concentre cada vez mais a produção agropecuária global.
Preços
De forma geral, o estudo prevê aumento da produção mundial nos próximos dez anos, mas um avanço mais fraco da demanda do que o observado nos últimos anos, o que deve provocar um declínio gradual dos preços internacionais. Os valores, porém, não deverão voltar aos patamares mais baixos anteriores a 2007 e 2008, quando tiveram forte expansão.
O comportamento dos preços, porém, deverá variar bastante entre diferentes produtos, segundo o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. De acordo com ele, o consumo humano de cereais tem um limite, ao passo que a demanda por proteína animal tende a aumentar na medida em que a renda das famílias cresce. Nesse sentido, Graziano avalia que as cotações de certos grãos vão cair, mas as das carnes, lácteos e grãos usados na alimentação de animais vão avançar.
O petróleo mais barato também contribuirá para manter os preços dos alimentos sob controle, já que resulta na redução de custos com energia e fertilizantes. Por outro lado, isso desestimula a produção de biocombustíveis.

