Alexandre Rocha
São Paulo – O Brasil tem interesse em promover a assinatura de acordos comerciais entre o Mercosul e os países do Magreb – bloco formado por Argélia, Líbia, Marrocos, Mauritânia e Tunísia -, semelhantes ao que já está em negociação com o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), que reúne Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
"Queremos ter acordos como este também com os países do Magreb, em conjunto ou individualmente, da maneira que for mais conveniente", disse o chanceler Celso Amorim ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros da Argélia, Mohammed Bedjaoui, ontem (18) em Brasília.
Amorim citou as negociações com o GCC como exemplo do avanço nas relações do Brasil e da América do Sul com o mundo árabe. "Quem poderia imaginar um acordo como este há 10 anos", declarou. O Mercosul já iniciou negociações com um dos países do Magreb: o Marrocos.
O palco do discurso foi encerramento da reunião da Comissão Mista Bilateral Brasil-Argélia, a primeira em quase 20 anos. "Este encontro é especialmente importante porque desde 1987 não tínhamos uma reunião da comissão", lembrou Amorim.
O evento teve a participação de representantes do Itamaraty e de diversos outros ministérios, como Minas e Energia, Saúde, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Agricultura e da Construtora Andrade Gutierrez, que tem negócios no país árabe. Pelo lado argelino, além do ministro e outros funcionários da chancelaria, participaram representantes dos ministérios da Participação e Promoção dos Investimentos, Agricultura e Desenvolvimento Agrário e Saúde.
De acordo com o diretor do Departamento da África do Itamaraty, Fernando Jacques de Magalhães Pimenta, durante os dois dias do encontro os participantes "passaram em revista" temas importantes da agenda bilateral como cooperação fitossanitária e no setor agrícola em geral, cooperação no setor de saúde e o comércio entre os dois países. Foram discutidos também, segundo Jacques, diversos acordos nas áreas judiciária, de meio ambiente, cultura e ciência e tecnologia. "São questões que vão permitir ampliar o relacionamento", afirmou.
A realização desta reunião foi uma das propostas feitas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, durante sua viagem à Argélia em novembro de 2005. O tema foi tratado também durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país árabe no início deste ano.
Amorim destacou que o comércio é um dos temas de principal interesse na agenda bilateral. "Compramos muito da Argélia e estamos nos esforçando para vender mais e sabemos que contamos com o apoio governo argelino para tanto", afirmou.
A balança comercial entre os dois países é bastante deficitária para o lado brasileiro. No primeiro trimestre deste ano, enquanto as importações brasileiras de produtos argelinos, principalmente o petróleo, somaram US$ 475,5 milhões, as exportações renderam apenas US$ 46 milhões.
Ontem foi realizada também a primeira reunião de consultas políticas bilaterais entre os dois países. "Temos muito em comum nesta área. Buscamos diversificar nossas relações e uma maior cooperação entre os países em desenvolvimento, sem que isso signifique uma posição de confronto com os países do Norte", afirmou o chanceler brasileiro.
Além de participar das reuniões no Itamaraty, Mohammed Bedjaoui se encontrou na segunda-feira com os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Roberto Rodrigues (Agricultura) e com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie.
Compra de aviões
Ontem ele teve uma reunião com o ministro da Defesa, Waldir Pires. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, Bedjaoui manifestou o interesse do governo argelino de adquirir aeronaves de diversos modelos fabricadas pela Embraer.

