Sirte, Líbia – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta quarta-feira (01), na abertura da assembléia de chefes de estado da União Africana (UA), em Sirte, na Líbia, a realização, no Brasil, de uma conferência de ministros africanos da Agricultura para discutir o desenvolvimento do setor no continente. “Eu queria propor, em função do tema [da assembléia], um encontro de ministros da Agricultura de toda a África, no Brasil, para aprofundar as possibilidades de parcerias da revolução agrícola que o Brasil fez com os companheiros africanos”, disse Lula. O tema da cúpula em Sirte é “Investindo na agricultura para o crescimento econômico e a segurança alimentar”.
Ao lado do líder Líbio Muammar Kadafi, do emir do Catar, Ahmad Bin Khalifa Al Thani, do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, e do presidente da Comissão da UA, Jean Ping, Lula destacou que o governo brasileiro reitera seu compromisso “de ajudar a África a realizar sua própria revolução verde”. Segundo ele, foi com este objetivo que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) abriu um escritório em Gana, entidade que “fez do Brasil uma potência agrícola mundial”.
O presidente ressaltou que, para que essa “revolução” ocorra, é preciso investir na agricultura familiar e na geração empregos e renda no campo. “A experiência brasileira mostra que a produtividade da pequena agricultura e a sustentabilidade da produção de alimentos são fundamentais para erradicar a fome. Investimentos em agricultura que gerem empregos são a melhor forma de garantir vida digna aos nossos cidadãos”, afirmou.
Nesse sentido, a comissária de Economia Rural e Agricultura da UA, Rhoda Peace Tumusiime, defendeu, em entrevista coletiva realizada antes do início da cúpula, que os US$ 33 bilhões que as nações africanas gastam na importação de alimentos sejam investidos na agricultura local.
Segundo ela, os governos do continente deveriam investir mais no setor por causa de seus efeitos multiplicadores, incluindo o desenvolvimento da indústria alimentícia. “Nós temos terras, água e outros recursos, então nós precisamos investir na agricultura para crescimento econômico e a segurança alimentar”, disse a comissária.
Lula acrescentou que “outra revolução, que podemos realizar juntos, é a da bioenergia”. Lula defende que países africanos tornem-se produtores de biocombustíveis, dentro da condição de cada um e sem prejudicar a produção de alimentos. Para o presidente, isso vai trazer “benefícios exponenciais aos países e povos africanos”. “Por essa razão encomendei estudos para a instalação, na África, de uma fazenda modelo articulada a uma usina piloto de etanol”, declarou.
Mais tarde, em entrevista à imprensa brasileira, Lula afirmou que a África pode vir a ter uma produção extraordinária de alimentos e biocombustíveis, “quem sabe mudando o patamar da qualidade de vida do seu povo”.

