Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo – As negociações entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) para um tratado comercial ainda estão começando, mas o Brasil já pensa na ampliação da futura zona de livre comércio para os países do Magreb (Argélia, Tunísia, Líbia, Mauritânia e Marrocos) e, eventualmente, para todos os países árabes. A informação foi dada ontem (30) à ANBA por Ahmed Ben Helli, secretário-geral adjunto da Liga dos Estados Árabes, após reunião de diplomatas árabes e sul-americanos, realizada no Cairo para dar continuidade à cúpula de Brasília.
Os negociadores do bloco sul-americano e do GCC – união aduaneira formada por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã – esperam que o processo de negociação termine ainda em 2006. O Mercosul negocia ainda acordos de preferências tarifárias com o Egito e o Marrocos. Durante a reunião do Cairo, o Brasil sugeriu que se comece a negociar um acordo-quadro com vistas a ampliar os tratados comerciais no futuro.
O encontro contou com a participação de delegações da maioria dos países árabes e sul-americanos. Só não compareceram representantes da Colômbia e Suriname. A missão brasileira foi chefiada pelo embaixador Pedro Motta, chefe do Departamento da África do Itamaraty. Compareceram também especialistas nas áreas econômica, social, científica e cultural. As discussões abordaram cincos eixos principais: político, econômico, social, cooperação cientifica e tecnológica e cultural.
Mais cooperação
Na seara econômica, ficou decido que haverá uma reunião de ministros da área em Quito, no Equador, nos dias 25 e 26 de abril do próximo ano. O encontro já estava previsto na declaração da cúpula de Brasília, mas ainda não havia uma data definida. "Este já é um passo que considero bastante positivo, visto as dificuldades em se juntar ministros responsáveis da área econômica", disse Pedro Motta.
Foi dada atenção especial à formulação da pauta do encontro de Quito. "Existem várias propostas de criação de mecanismos para incentivar os investimentos em ambas as regiões", afirmou Ben Helli. Na área de investimentos foi levantada a necessidade de cooperação entre as instituições financeiras, para favorecer as iniciativas neste campo.
Na área social as discussões se concentraram sobre a questão da luta contra a pobreza e na concretização dos projetos de desenvolvimento em ambas as regiões. "Os representantes das duas regiões propuseram que ocorra, em breve, uma reunião de ministros da área social", declarou Ben Helli.
Em termos de cooperação cientifica e tecnológica, os participantes elogiaram a proposta brasileira de criar uma rede de apoio à troca de informação e intercâmbio na área. "No que diz respeito às questões do meio-ambiente, houve, por exemplo, um apelo para que os ministros responsáveis busquem mecanismos para combater problemas como a desertificação, além de meios para buscar água potável", disse Ben Helli.
Na área de Cultura, foi acatada a proposta da Argélia de se realizar uma reunião de ministros da Cultura no final de janeiro, ou começo de fevereiro de 2006. Durante este encontro deverão ser tratadas as questões ligadas à criação da Biblioteca Árabe e Sul Americana e um centro de pesquisas, que são idéias lançadas pela Declaração de Brasília.
Os participantes discutiram também a possibilidade de antecipar a próxima reunião de ministros das Relações Exteriores para 2006. Inicialmente ela estava prevista para ocorrer em 2007.
No que diz respeito ao campo político, foi decidido que os países árabes e da América do Sul vão fornecer apoio material e logístico para o povo Palestino, para ajudá-lo na reconstrução de seu país. "Falou-se também do apoio à paz no Sudão e o grupo também se manifestou positivamente com relação à última reunião de promoção da reconciliação no Iraque, que ocorreu de 19 a 21 de novembro na sede da Liga Árabe", concluiu Ben Helli.

