São Paulo – Diversificar a pauta das exportações brasileiras do setor de alimentos para o mercado árabe é uma das metas da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). “As grandes indústrias brasileiras de alimentos sempre tiveram uma relação muito estável com os países árabes, principalmente as do setor de carnes, que têm um desempenho muito expressivo na região. Esperamos que agora cresça também outros setores e que a pauta de produtos processados se diversifique”, afirmou o gerente do Departamento de Economia da Abia, Amilcar Lacerda de Almeida.
O economista, que fez ontem (18) uma apresentação na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, para uma delegação de empresários árabes, acredita que o Brasil tem potencial para exportar mais biscoitos, pães, balas, confeitos, chocolates, óleo, frutas, vegetais, sucos, milho e derivados de amido. Segundo dados da Abia, as exportações brasileiras de alimentos processados para o mercado árabe têm crescido. No ano passado, as vendas para a Liga Árabe somaram US$ 5 bilhões, o que representou um crescimento de 28% em relação a 2007. No geral, as vendas externas de alimentos processados do Brasil renderam US$ 33 bilhões.
Enquanto as importações mundiais de alimentos têm caído em mercados desenvolvidos, de janeiro a abril deste ano, as exportações brasileiras do setor para os árabes já tiveram um crescimento de 6%, um total de US$ 1,44 bilhão. “Espero que esse crescimento de 6% apresente uma taxa de evolução bastante positiva”, disse Almeida. Segundo ele, a Abia tem verificado que as importações de alimentos de mercados emergentes estão retomando crescimento após uma queda no ano passado com a crise de alimentos. “Acredito que em breve vamos voltar a ter uma taxa de crescimento de dois dígitos”, acrescentou ele.
Além da ampliação do comércio com os árabes, a Abia e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) acreditam na possibilidade de aumentar os investimentos árabes no setor da agroindústria. “É muito importante para Apex atrair investimentos no setor do agronegócio brasileiro. Com isso, podemos ter um incremento na produção, ampliar a distribuição e também realizar novas parcerias com outros mercados”, afirmou o gerente da Unidade de Imagem e Acesso a Mercados da Apex, Gilberto Lima Jr.
De acordo com ele, muitos países árabes, principalmente a Arábia Saudita, têm procurado o Brasil para investir em terras. “O caminho é estabelecer parcerias no setor da agroindústria”, disse o gerente da Apex. Durante sua apresentação na Câmara Árabe, Lima falou que o mercado árabe é prioridade do governo brasileiro. “De 2000 para cá, o comércio entre o Brasil e o mercado árabe cresceu 600%. Esse crescimento mostra o potencial dessa parceria”, acrescentou.
Na sede da Câmara Árabe, a delegação de empresários árabes foi recebida pelo vice-presidente de marketing, Rubens Hannun, que também falou da importância das relações comerciais entre o Brasil e os países árabes. “Mesmo com a crise, o parceria comercial entre os dois blocos tem crescido”, afirmou Hannun, que lembrou aos empresários da visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à Arábia Saudita no final de semana passado. “É um exemplo de que a parceria com o mundo árabe vem se intensificando cada vez mais”, acrescentou.
Empresários
Um exemplo de que os árabes já estão procurando diversificar a pauta de importações de alimentos do Brasil é o grupo do Iêmen Alsaeed Trading Company, que já importa açúcar e milho e está no país em busca de sucos, leite e derivados, café, doces, entre outros produtos. “O Brasil tem uma diversidade enorme de produtos e é isso que estamos procurando”, afirmou o gerente-geral do grupo, Walid Hizam Dhafer.
O grupo, que foi fundado em 1938 e começou como trader, hoje, além de atuar com importação e exportação de alimentos, tem mais de 12 fábricas de diferente setores no país árabe e mais 15 fábricas de alimentos e embalagens fora do Iêmen. São 22 mil funcionários.
Atualmente, o grupo importa alimentos da Tailândia, Malásia, Turquia e África do Sul. Para a fabricação de alimentos, a companhia importa mais de 1,3 milhão de toneladas de trigo por ano e mais de 200 mil toneladas de açúcar. Entre os produtos fabricados pelo grupo estão biscoitos, margarina, papelão para embalagens e cimento. Além disso, também atuam nos setores de banco, hotéis, seguro e transporte.
Outro grupo que já importa do Brasil e quer diversificar suas importações é o Al Maya Trading, dos Emirados Árabes. De acordo com o chefe da divisão de importação e exportação, Nandi Pagarani, a companhia compra do Brasil carne enlatada, gelatina, café e leite em pó e agora busca arroz e molho de tomate. O grupo é uma das maiores redes varejistas dos Emirados e conta com centros de distribuição no Kuwait, Reino Unido, Catar e Barhein.
Além desses dois grupos, também estão em São Paulo para a participação das rodadas de negócios da feira de supermercados APAS, outras quatro empresas da Jordânia, Kuwait e Barhein. Os encontros, organizados pela Câmara Árabe e Apex, serão realizados hoje (19), 20 e 21 no Expo Center Norte.

