São Paulo – As montadoras brasileiras vão se preparar para exportar tecnologia automotiva no futuro. Pelo menos essa é a vontade de Cledorvino Belini, novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nesta sexta-feira (30). Em coletiva à imprensa, Belini afirmou que a entidade pretende fomentar a criação de um programa nacional de políticas de atração de investimentos para acelerar o desenvolvimento de tecnologia e inovação, e transformar o país em um centro de inteligência de engenharia na área. “Vamos exportar tecnologia”, disse Belini.
Segundo ele, entre os países dos Brics, grupo que inclui Brasil, Rússia, Índia e China, o Brasil é mais preparado para isso. Segundo ele, a indústria nacional precisa de um choque de competitividade, o que inclui desde investimentos em infraestrutura até tecnologia e capital humano. A Anfavea pretende fazer um diagnóstico do segmento e apresentar propostas de medidas para avanço em tecnologia. A ideia é que esse plano seja levado adiante pelo setor privado e pelo governo. Para o período 2010-2013 já estão previstos investimentos de US$ 11,2 bilhões no segmento. Entre 2007 e 2009 foram feitos investimentos de US$ 8,1 bilhões.
“Para termos um lugar assegurado na indústria automobilística no futuro nós precisamos de competitividade, de um choque de competitividade. Isso pode dar condições de o Brasil ser um grande player (no segmento) no futuro”, disse Belini, lembrando que o país já ocupa um lugar importante em função do tamanho da produção e do mercado nacional de veículos. O Brasil é o sexto maior produtor de automóveis do mundo e o ocupa a quinta posição em produção. As exportações – 475 mil veículos em 2009 – são pequenas se comparadas ao total produzido no Brasil, que foi 3,18 milhões de automóveis no mesmo período, segundo dados da Anfavea.
Belini afirma que as exportações de veículos caíram pela metade nos últimos anos e cita como fatores para isso o aumento dos preços da matéria-prima, acarretando aumento de custo de produção, e o câmbio desfavorável. Elas recuaram 35,3% em 2009 e em anos como 2005 chegaram a 897 mil unidades. Belini lembra que os mercados mundiais foram afetados pela crise, o que colaborou para o recuo das vendas. Para este ano, no entanto, a Anfavea prevê crescimento nas exportações para 530 mil unidades. Para o Oriente Médio, porém, região onde estão países árabes, as vendas brasileiras de carros são pouco representativas. “Outros países conseguem chegar lá com maior competitividade”, disse o executivo.
De acordo com projeções da Anfavea, as vendas da indústria automotiva devem ficar em 3,4 milhões de unidades em 2010, com crescimento de 8,2% sobre o ano passado. Em 2009, a indústria brasileira de automóveis cresceu 12% impulsionada pelo mercado interno, que teve incentivos fiscais e de crédito para compra de carros. Para que as vendas continuem aquecidas no mercado interno neste ano, segundo Belini, são fundamentais três fatores: crédito, renda e inflação sob controle. A capacidade instalada do setor é de 4,3 milhões de veículos ao ano.

