São Paulo – Um dos destaques da visita do ministro da Indústria e Comércio do Egito, Rachid Mohamed Rachid, que começa hoje (11) em São Paulo, deverá ser a retomada das conversas sobre um acordo comercial entre o Mercosul e o país árabe. As duas partes assinaram em 2004 um acordo quadro sobre o tema – uma declaração de intenções -, mas as negociações não foram concluídas.
“Vamos aproveitar a visita para o mostrar o Brasil e trabalhar no sentido de viabilizar o acordo comercial entre o Mercosul e o Egito, para que o comércio continue numa trajetória de crescimento”, disse o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr. A entidade vai receber Rachid na capital paulista e acompanhar a delegação egípcia durante toda sua estada no Brasil.
O governo egípcio tem interesse em reiniciar as negociações, declarou na semana passada a diretora-executiva do Departamento de Relações Internacionais do Ministério da Indústria e Comércio, Mona Wahba. “Nós também temos esse interesse”, disse à ANBA o chefe do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, embaixador Evandro Didonet.
Rachid estará em Brasília amanhã e depois e vai se encontrar com o chanceler Celso Amorim. Paralelamente, Didonet vai se reunir com negociadores do lado egípcio para analisar o que será possível fazer de agora em diante.
O diplomata ressaltou que a retomada das negociações precisa ser aprovada pelos outros sócios do Mercosul – Argentina, Paraguai e Uruguai -, mas acredita que eles também têm interesse no acordo. O Brasil ocupa atualmente a presidência rotativa do bloco.
Depois do fracasso da última reunião ministerial da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, o ministro Amorim disse que o Brasil voltaria centrar fogo em acordos comerciais bilaterais. Didonet ressaltou, porém, que a retomada das conversas com o Egito não é uma conseqüência do que ocorreu na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O embaixador lembrou que paralelamente à Rodada Doha o Mercosul já tinha iniciado tratativas não só com o Egito, mas também com os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), com o Marrocos e mais recentemente com a Jordânia. “Esse processo já vinha em andamento e vai continuar, mesmo que Doha tivesse sido um sucesso”, declarou o diplomata. “O conjunto desses mercados é muito importante para nós e podemos explorá-los mais”, acrescentou.
Oportunidades de negócios
Para Sarkis, o comércio do Brasil com o Egito tende a se fortalecer cada vez mais, assim como o interesse de um país pelo outro. Hoje, em São Paulo, Rachid terá uma agenda totalmente voltada para contatos com a iniciativa privada. Ele vem acompanhado por uma delegação de 21 empresários, entre importadores e exportadores.
Além de um seminário sobre oportunidades de negócios e investimentos, o ministro terá reuniões com representantes de grandes empresas que têm interesse no país árabe. “Os encontros que o ministro terá com grandes empresários, que inclusive têm interesse em investir no Egito, demonstram o amadurecimento da relação bilateral”, afirmou o presidente da Câmara Árabe.
Paralelamente, os empresários da delegação egípcia vão participar de rodadas de negócios com companhias brasileiras. Eles são produtores, exportadores e importadores de alimentos, equipamentos médicos, medicamentos, cosméticos, têxteis e confecções, autopeças, commodities agrícolas e material de construção.
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