Da Agência Brasil
Brasília – Nos últimos cinco anos, a exportação de camarão de cativeiro deu um salto no Brasil. Passou de 37,8 mil toneladas, em 2002, para 62 mil, em 2003. A Região Nordeste é a maior produtora de camarão de cativeiro. Concentra 97% da produção nacional.
Além do aumento nas exportações, o número de empregos diretos e indiretos tem crescido na região. Cinqüenta mil empregos foram gerados principalmente no litoral. A atividade tem empregado mão-de-obra sem qualificação e desocupada em conseqüência da queda nas atividades da pesca artesanal e nas plantações de açúcar 95% da produção são de pequenos e médios produtores.
Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão, Itamar Rocha, o Brasil tem condições de se tornar líder mundial em exportação de camarão. “O Brasil hoje é o sexto produtor mundial deste ano", disse.
A expectativa é ser líder do mundo até 2010 em exportação de camarão. "De todos os países que cultivam o camarão, o Brasil é o único a cultivar de janeiro a dezembro sem diferenciação, ou seja, sem picles de produção, diferente da Ásia que tem um ciclo longo, mas que depois tem que parar por causa da diversidade de clima", acrescentou. O Brasil não tem o vírus mancha branca que ataca o camarão do mundo todo e o camarão é de alta qualidade”, disse.
O maior exportador de camarão do mundo é a China, com 300 mil hectares de viveiros de camarão. Em seguida, o Vietnã com quinhentos mil hectares. O Brasil, apesar de possuir apenas 14 mil hectares, é líder em produtividade. Produz até seis vezes mais que a China e 25 vezes mais que o Vietnã.
Propaganda
Mário Sergio de Mendonça é produtor de camarão em cativeiro há 16 anos no município de Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte. Atraído pela propaganda do governo, resolveu investir na carcinicultura e logo conseguiu um financiamento para o negócio. Aliás, um bom negócio, segundo ele.
“Em termos de agronegócio, a carcinicultura teve um crescimento muito rápido no Brasil e, com isso, sofreu conseqüências por causas de pessoas que desconhecem a atividade", afirmou.
Hoje estamos passando por uma crise de estratificação por causa dessas pessoas que acharam que iriam enriquecer e se decepcionaram. Mas a atividade é lucrativa se trabalhar com responsabilidade e controle de custo. É um potencial enorme que se tem aqui no nordeste e gera muita divisa e com certeza eu recomendo que se invistam nessa área mas com cuidado como tudo na vida”, acrescentou.
O presidente da Associação Brasileira de criadores de camarão, Itamar Rocha, reclama da falta de apoio governamental na produção e na comercialização do produto, além da dificuldade para conseguir a licença ambiental. Ele esclarece ainda que muitos produtores estão em situação de clandestinidade prejudicando a imagem do setor.
O diretor de Desenvolvimento de Agricultura do Ministério da Agricultura, João Scorvo, diz que a Secretaria Especial de Agricultura e Pesca – Seap tem investido recursos principalmente na área de pesquisa.
“Uma das ações onde a SEAP investiu recurso foi na área da pesquisa, mas nós temos outras injeções de recursos da própria ABCC de apoio ao fomento . A SEAP não tem muito recurso mas ele pode interferir na questão de crédito e nós conseguimos com o BNDS uma linha de crédito para a carcinicultura. Nós temos trabalhado nesta questão ambiental. Eu não vejo o governo injetando simplesmente recurso na carcinicultura, não, o governo fomenta a carcinicultura de várias formas uma delas seria a injeção de dinheiro através da pesquisa e de uma ação isolada”, disse.
Apesar dos bons resultados, há quem discorde de que a produção de camarão em cativeiro seja um bom negócio e traga benefícios para o país. A Câmara dos Deputados por meio da comissão de defesa do consumidor e meio ambiente está visitando algumas regiões onde a atividade da carcinicultura está em alta. O coordenador do grupo de trabalho, o deputado João Alfredo do PT do Ceará diz que a atividade não é um atrativo.
“Há uma reprodução muito rápida do camarão, mas por outro lado não tem gerado emprego de qualidade. São empregos na maioria deles sazonais e informais que acontecem principalmente no período da despesca. Porém o mais grave é que esta atividade tem agredido profundamente o meio ambiente porque estão desmatando os manguezais e poluindo os recursos hídricos da região”, afirmou.
O deputado disse também que a atividade da carcinicultura não deveria ser realizada nas áreas dos manguesais nem mesmo perto delas. Pede cuidado maior no momento da despesca.

