Marina Sarruf
São Paulo – Os equipamentos médico-hospitalares brasileiros já são reconhecidos no mercado árabe, agora o próximo passo é atrair os árabes para os serviços que o setor oferece. Com esse objetivo, o Consórcio Saúde Brasil, formado por nove entidades, vem divulgando seu trabalho em feiras no Oriente Médio. "O Brasil tem excelentes hospitais e oferece serviços de ótima qualidade a preços competitivos. Esse é o nosso diferencial", afirmou o gerente-geral do consórcio, Mauro Stormovski.
O Consórcio Saúde Brasil, formado no ano passado em parceria com a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex), começou este ano a divulgação dos serviços brasileiros no mercado árabe. Na semana passada, o consórcio esteve presente na Arab Health, maior feira de produtos médico-hospitalares de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e no mês de abril vai retornar ao emirado para participar da Feira e Conferência Internacional de Cuidados Médicos e Diagnósticos (IMD-IHF).
"Queremos mostrar que o Brasil não é só (Ivo) Pitanguy (famoso cirurgião plástico brasileiro). Oferecemos outros serviços nas áreas de oncologia, cardiologia, pediatria, entre outros", disse Stormovski. Segundo ele, a maioria dos estrangeiros que procuram os serviços médico-hospitalares no Brasil vem para cirurgias corretivas e não curativas. "O fluxo de estrangeiros nos hospitais brasileiros ainda não tem um impacto na economia dos hospitais. Nossa expectativa é movimentar nos próximos três anos US$ 1 milhão com o turismo terapêutico", completou.
O Consórcio Saúde Brasil e a Apex já investiram até o momento R$ 500 mil, de um total de R$ 1,3 milhão, em ações promocionais no exterior. Além de Dubai, o consórcio já participou de feiras no Peru, Argentina, Chile, Venezuela, Alemanha e Suíça. "O Brasil tem sido visto no exterior como uma grande novidade. Em Dubai, por exemplo, causamos um grande impacto", disse Stormovski.
Além do consórcio atuar na atração de pacientes estrangeiros para o tratamento no Brasil, ele oferece prestação de serviços de consultoria em gestão hospitalar e a realização de projetos de engenharia para montagem e manutenção de hospitais e clínicas no exterior. De acordo com Stormovski, esses outros serviços também foram visto com muito interesse por profissionais do setor dos Emirados Árabes, Arábia Saudita, Catar e Barhein. "São países que estão em expansão e precisam ter consultores. Quem sabe podemos levar nossos profissionais para atuar em outros países também", acredita o gerente.
Stormovski disse ainda que a hospitalidade brasileira também pode contribuir para atração de estrangeiros no país. "As boas condições e preços acessíveis aliados à hospitalidade brasileira podem atrair cada vez mais estrangeiros", disse. Além de impulsionar o turismo de saúde, a idéia do consórcio também é de promover o intercâmbio entre hospitais e profissionais da área da saúde brasileira com outros centros especializados do mundo.
Na área médico-hospitalar o consórcio conta com cinco hospitais: Hospital Brasília, na capital do país; Hospital Moinho de Vento, no Rio Grande do Sul; e em São Paulo, o Hospital do Coração (Hcor), Hospital Samaritano e Hospital Sírio-Libanês. Na área de ensino e pesquisa fazem parte a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e a Fundação Zerbini. Em projetos e tecnologias estão as empresas L+M Gets e a MHA Engenharia.
Raízes árabes
Dois dos hospitais do consórcio foram formados por senhoras da coletividade árabe no Brasil, o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital do Coração. A exemplo do Hospital Sírio-Libanês, o HCor também está desenvolvendo o site da entidade na língua árabe para atrair novos pacientes desse mercado. "Também estamos preparando folders do hospital na versão árabe para serem distribuídos em eventos internacionais", afirmou o superintende do HCor, Antonio Carlos Kfouri.
Segundo ele, o HCor já atende estrangeiros de todo o mundo, mas com o convênio o objetivo é aumentar a atração de pacientes vindos do exterior. Especializado em cardiologia, o hospital também oferece atendimento nas áreas de ortopedia, oncologia, neurologia e medicina preventiva. A entidade, formada há mais de 80 anos, recebe atualmente cerca de dez pacientes estrangeiros por mês, vindos da América Latina e Europa.
Por ter uma ligação histórica com os árabes, o HCor também tem muito interesse em atendê-los. "Temos que mostrar aos árabes que eles não precisam ir para Londres ou Estados Unidos para terem um serviço qualificado. Nosso atendimento é mais caloroso em relação aos países desenvolvidos e oferecemos preços bem mais competitivos", disse Kfouri.

