São Paulo – O Brasil se dispôs a mediar o diálogo entre a Liga Árabe e o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) sobre a situação na Líbia. Em uma conversa nesta quarta-feira (09) com o emir do Catar, Hamad Bin Khalifa Al Thani, em Doha, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou a disposição brasileira, o que, segundo o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, foi bem recebido pelo líder do país do Golfo.
Em Doha, Patriota reiterou a posição do Brasil de que não deve haver intervenção estrangeira na Líbia a não ser por resolução do Conselho de Segurança. Ele afirmou também que o interlocutor entre o Conselho e a Líbia, neste processo, deve ser a Liga Árabe. Thani demonstrou posição igual à brasileira, de acordo com Nunes, e reconheceu o papel que o Brasil vem desempenhando pelo estabelecimento da paz na região.
O Brasil ocupa atualmente a presidência rotativa do Conselho e é membro temporário do organismo. O país, no entanto, quer uma cadeira permanente, o que também foi tema da conversa com Thani. O emir reiterou o apoio do Catar ao pleito brasileiro. Os dois países têm boas relações diplomáticas e tanto o emir já esteve no Brasil quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o país árabe.
O ministro Patriota esteve no Catar depois de passagem por China, Índia e Sri Lanka. Na viagem, ele já manifestou a posição brasileira sobre a questão líbia. Países como Estados Unidos, Inglaterra e França defendem uma intervenção ou exclusão aérea para pressionar a renúncia do líder Muamar Kadafi, que é alvo de protestos populares.
No Catar, além do encontro com o emir, Patriota se reuniu também com o primeiro-ministro e chanceler do país, Hamad Bin Jassem Jaber Al Thani, e o ministro de Estado de Negócios Estrangeiros, Ahmad Bin Abdullah Al Mahmoud. Essa foi a primeira visita de Patriota a um país árabe. O embaixador do Brasil em Doha, Ânuar Nahes, acompanhou as conversas.

