Brasília – O setor público consolidado – governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais – registrou, em maio, o pior resultado primário para o mês desde o início da série histórica, em dezembro de 2001. Foi a primeira vez que o setor público apresentou déficit primário em maio, com resultado negativo em R$ 11,046 bilhões. No mesmo mês de 2013, o setor público registrou superávit primário de R$ 5,681 bilhões.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, disse que houve aumento de investimentos do governo em maio e redução de receitas de dividendos e de depósitos judiciais em relação ao mesmo mês do ano passado.
Em relação aos demais meses, o resultado de maio também é o pior desde dezembro de 2008, quando o déficit primário chegou a R$ 20,952 bilhões. O resultado primário é a economia de recursos para pagar os juros da dívida pública.
Nos cinco meses do ano, o superávit primário chegou a R$ 31,481 bilhões, contra R$ 46,729 bilhões em igual período de 2013. Em 12 meses encerrados em maio, o superávit primário do setor público ficou em R$ 76,057 bilhões, o corresponde a 1,52% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
Maciel disse que ainda é cedo para avaliar se o setor público terá dificuldade para atingir a meta de superávit primário de 1,9% do PIB no ano.
“É preciso aguardar os próximos resultados. Ainda há uma série de eventos a ocorrer, como receitas de concessões, volume de dividendos previstos na LOA [Lei Orçamentária Anual], Refis [programa de renegociação de dívidas tributárias com a União]. Uma avaliação exige um conjunto de dados mais amplo. Não devemos fazer essa avaliação especificamente com o último resultado [de maio]”, argumentou.

