Brasília – O setor público consolidado – governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais – apresentou déficit primário de R$ 14,46 bilhões em agosto, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central (BC). Esse foi o quarto resultado negativo consecutivo e o pior para agosto na série histórica, iniciada em dezembro de 2001.
Em agosto do ano passado, houve déficit primário de R$ 432 milhões. Nos oito meses de 2014, foi registrado superávit primário de R$ 10,205 bilhões, contra R$ 54,013 bilhões em igual período de 2013.
Em 12 meses encerrados em agosto, o superávit primário do setor público ficou em R$ 47,498 bilhões, o que corresponde a 0,94% do Produto Interno Bruto (PIB). O superávit primário é a economia de recursos para pagar os juros da dívida pública. Neste ano, a meta para o setor público é de 1,9% do PIB.
Os gastos com os juros que incidem sobre a dívida chegaram a R$ 17,016 bilhões em agosto e acumularam R$ 165,259 bilhões nos oito meses do ano. Com isso, o déficit nominal, formado pelo resultado primário e as despesas com juros, ficou em R$ 31,476 bilhões no mês passado e em R$ 155,054 bilhões de janeiro a agosto.
Também nesta terça-feira, a Secretaria do Tesouro Nacional divulgou o resultado primário do Governo Central. Os números do BC diferem das contas do Tesouro. Além de incluir o desempenho fiscal de estados, municípios e estatais, o BC usa metodologia diferente para calcular o resultado primário. Enquanto o Tesouro contabiliza as receitas e os gastos executados do Orçamento, o BC faz os cálculos com base na variação do endividamento público.
No cálculo do Tesouro, o déficit primário do Governo Central (Tesouro, BC e Previdência Social) ficou em R$ 10,4 bilhões, o pior resultado desde 1997. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, descarta, no entanto, revisar a meta de superávit primário de R$ 80,8 bilhões para o ano.
A meta fiscal do Governo Central para o segundo quadrimestre é de R$ 39 bilhões, mas o realizado ficou longe: R$ 3,1 bilhões, ou 7,8% da expectativa.
Para Augustin, o mais importante além da discussão das metas é que o governo tem conseguido reduzir a relação entre a dívida pública e o PIB. “Somos um dos poucos países que conseguiram isso, apesar de todos os problemas econômicos que o mundo vem vivendo. Muitos tiveram um crescimento desta relação. Acho isso importante de ser reiterado. O Brasil, embora as dificuldades do ano, vem mantendo uma dívida em queda”, concluiu.

