Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil terá uma embaixada em Mascate, capital de Omã, país árabe que fica na Península Arábica. O prazo para abertura da representação diplomática ainda não está definido, mas o decreto presidencial que prevê a sua abertura foi publicado no Diário Oficial da União no começo desta semana. Omã é uma das poucas nações árabes nas quais o Brasil ainda não tem embaixada. Atualmente, dos 22 países integrantes da Liga Árabe, pelo menos 14 têm embaixadas brasileiras.
Até agora era o embaixador do Brasil em Riad, na Arábia Saudita, que acumulava o posto de embaixador em Mascate, assim como também em Sanaa, capital do Iêmen, país que ainda não tem embaixada brasileira. De acordo com o chefe do Departamento do Oriente Médio II do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, Roberto Abdalla, a discussão pela abertura da embaixada em Mascate começou no ano passado. Ele afirma que a medida faz parte da diretriz política do governo federal de adensar as relações com os países árabes.
Abdalla lembra que outras ações neste sentido já foram tomadas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a abertura de um consulado em Beirute, no Líbano, a reativação da embaixada do Brasil em Bagdá, no Iraque, a criação da embaixada brasileira em Doha, no Catar, e do Departamento de Oriente Médio, para cuidar das relações com o Golfo Arábico, no Itamaraty. Houve também da Cúpula dos Países Árabes e Sul-Americanos (Aspa), encontro de chefes de estado que ocorreu em 2005, cuja iniciativa foi brasileira. O governo brasileiro abriu ainda um escritório de representação em Ramallah, na Cisjordânia, e uma embaixada em Cartum, no Sudão.
Outro motivo que impulsionou a decisão de abertura da embaixada, segundo Abdalla, foi o fato de Omã ser país integrante do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco econômico com o qual o Mercosul negocia um acordo comercial. O Brasil também, de acordo com o diplomata, tem interesses em Omã. “O país tem uma estabilidade interna grande, oferece inúmeras oportunidades de comércio e investimentos, está investindo na sua modernização interna”, afirma Abdalla.
Uma das áreas nas quais há oportunidades comerciais para o Brasil no país, segundo o Abdalla, é a de minério de ferro. A Vale do Rio Doce, empresa brasileira que atua no segmento, já tem operações em Omã. Apesar disso, o Brasil e Omã ainda têm um comércio pequeno. O país árabe exporta pouco para o Brasil. Nos primeiros três meses deste ano não realizou vendas. Já no mesmo período do ano passado teve receita de US$ 2,4 milhões com exportações ao Brasil, principalmente de mármores e confecções.
Mas o Brasil está aumentando suas vendas para lá. Elas saíram de US$ 26,2 milhões no primeiro trimestre de 2007 para US$ 29,7 milhões nos mesmos meses deste ano. Os principais produtos exportados são alimentos, como carnes, ovos, leite e frutas. A economia de Omã é voltada para o segmento de petróleo e gás, mas o país também é tradicional na agricultura e na pesca, segundo informações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. A área do país é pequena, 309 mil quilômetros quadrados, e a população é de 2,7 milhões de pessoas. O PIB, porém, é de US$ 38,9 bilhões.

