Alexandre Rocha
São Paulo – O Brasil vai abrir uma embaixada em Cartum, capital do Sudão. De acordo com informações do Itamaraty, isso deverá ocorrer ainda neste semestre. Nos próximos meses representantes da chancelaria brasileira vão visitar o país africano para tratar dos detalhes. A criação da representação diplomática foi autorizada por um decreto de novembro do ano passado, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A instalação da embaixada brasileira vai ocorrer cerca de dois anos depois do Sudão ter aberto sua representação em Brasília, chefiada pelo embaixador Rahamtalla Mohamed Osman, que se tornou um incansável promotor das relações entre os dois países. As exportações do Brasil para o Sudão saíram de US$ 7,9 milhões em 2003 para US$ 48,9 milhões em 2004 e US$ 69,3 milhões no ano passado.
O fortalecimento das relações comerciais resultou também na primeira participação brasileira na Feira Internacional de Cartum, que vai até o dia 10, com um estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, fato que foi notícia na imprensa local.
O jornal Sudan Vision, um dos principais em língua inglesa do país, destacou em matéria publicada no domingo (05) que o objetivo dos brasileiros é conhecer melhor o mercado sudanês. Ontem (07), o estande da Câmara foi assunto também da Rádio Omdurman, uma das mais importantes do Sudão, que entrevistou o cônsul honorário do Brasil em Cartum, Mustafá Abbadi.
"Eu disse que era a primeira participação do Brasil na feira e que estava muito feliz por isso. Existem muitas similaridades entre os dois países e existe um bom potencial para ampliar as relações econômicas, especialmente após as descobertas de petróleo no Sudão e do acordo de paz sobre a região de Darfur", disse Abbadi por telefone à ANBA. Ele se colocou à disposição de empresários brasileiros que queiram saber mais sobre seu país (ver contato abaixo).
Investimentos
Atualmente o país produz cerca de 500 mil barris de petróleo por dia, mas pretende chegar à marca de 2 milhões de barris diários até 2008. Com o dinheiro do petróleo, que está em alta no mercado internacional, o Sudão quer realizar investimentos em diversos setores.
De acordo com informações levantadas pelo coordenador de operações da Câmara Árabe, Rodrigo Solano, junto ao Ministério dos Investimentos do Sudão, o país, que até hoje teve na agricultura sua principal fonte de renda, quer desenvolver as indústrias de alimentos, de vidros, de material de construção, têxtil, de mineração, além de projetos de infra-estrutura como aeroportos, portos e fornecimento de energia elétrica. Solano participa da feira de Cartum.
Pata tanto, o Sudão busca parceiros internacionais que tenham know-how nestes setores e outros, inclusive na agricultura e pecuária. O país quer, por exemplo, aumentar a mecanização das lavouras, modernizar as técnicas de pesca e melhorar os serviços veterinários.
Algumas empresas já foram ver de perto o potencial do mercado, como a Plasvale, de utensílios Plásticos, e a Tirolez, de Laticínios, que utilizaram o estande da Câmara na feira. "Eles precisam de todo tipo de material para projetos de construção e infra-estrutura. Precisam também de equipamentos para conservação de alimentos, como câmaras frias e caminhões frigoríficos e há mercado para alimentos secos, como leite em pó, café e açúcar", disse Ali Saif, da trading brasileira Al Taiba, que também está na feira.
Contato
Mustafá Abbadi
Cônsul honorário do Brasil em Cartum
Tel: +249 (1) 8377-5638

