Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil recebeu investimentos de R$ 640 bilhões entre os anos de 2002 e 2005. Entre 2007 e 2010 a estimativa é de R$ 1 trilhão. E de 2008 a 2011 serão R$ 1,19 trilhão. Os números fazem parte de um levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), divulgado nesta sexta-feira (07) pelo presidente da instituição, Luciano Coutinho, e inclui todos os tipos de investimentos feitos no país. A estimativa, segundo o presidente do banco, é baseada nas consultas recebidas pelo BNDES, apesar de não levar em conta apenas valores financiados pelo banco. "O BNDES apóia uma parcela importante destes projetos", disse Luciano Coutinho.
De acordo com o estudo, na indústria, o setor de petróleo e gás terá o maior volume de investimentos entre o ano que vem e 2011, com R$ 202,8 bilhões. Sobre o valor investido no setor entre 2003 e 2006, que foi de R$ 126,3 bilhões, haverá um crescimento no valor anual de 9,9%. O segundo setor industrial que mais receberá investimentos no período será o extrativista mineral, com R$ 81 bilhões e crescimento de 16,4% no valor anual. Em seguida vem o automotivo, com R$ 35 bilhões e crescimento de 9,5%, a siderurgia, com R$ 31,2 bilhões e alta de 12%. Na indústria petroquímica haverá investimentos de R$ 27,4 bilhões e crescimento anual de 36,8%.
Coutinho falou sobre os dados no 12º Encontro Anual da Indústria Química, promovido em São Paulo pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Do total de R$ 1 trilhão que o país terá de investimentos deste ano até 2010, R$ 249,5 bilhões serão da indústria. Já dos R$ 1,19 trilhão que serão aplicados entre 2008 e 2011, R$ 447 bilhões terão a produção industrial como destino. Haverá, segundo o levantamento do BNDES, um aumento de 12,4% no montante anual investido na indústria do Brasil entre os anos de 2008 e 2011 sobre o período de 2003 a 2006.
Ao falar dos números, Coutinho elogiou o setor privado, falou que é fundamental acelerar o investimento e que o banco vai ajudar. "Quem garante a sustentabilidade dos preços é o setor privado, investindo forte, e nós temos que ajudar nisto", disse o executivo. O presidente do BNDES disse ainda que a saúde do setor privado é o sustentáculo do crescimento brasileiro. "Na média, a rentabilidade privada brasileira vai muito bem", disse o presidente do BNDES. Coutinho lembrou de alguns projetos que estão sendo desenvolvidos pela indústria petroquímica brasileira, os quais o banco está financiando.
O presidente da instituição falou ainda dos bons indicadores da economia brasileira, como a inflação sob controle e o crescimento do emprego formal. "A economia brasileira está em um momento favorável reunindo condições sólidas para sustentar o crescimento", disse Coutinho. Segundo ele, a previsão de 5,5% para crescimento da economia em 2008 é realista. "Mesmo em hipótese de resfriamento da economia global", afirmou. O presidente do banco acredita que mesmo que a crise bancária afete os Estados Unidos, isso não vai desmontar a capacidade de crescimento da Ásia, China e Brasil. "Os países em desenvolvimento vão ajudar a manter o crescimento global em 2008", falou.

