Alexandre Rocha
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São Paulo – O diplomata Ânuar Nahes será o novo embaixador do Brasil em Doha, no Catar. Ele deve desembarcar no país do Golfo Arábico na segunda quinzena de novembro e terá como prioridades abrir caminho para atração de investimentos catarianos, promover o comércio, auxiliar na criação de um vôo da Qatar Airways ao Brasil e trabalhar por parcerias entre os dois países na área de gás natural liquefeito (GNL). O Catar é o principal produtor mundial de GNL e a Petrobras tem interesse em fazer negócios no país, seja em importação, exploração, produção ou logística.
"O Catar está trabalhando há 20 anos para estruturar este setor", disse Nahes ontem (02) à ANBA durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. Neste sentido, embora não seja o detentor das maiores reservas mundiais de gás, o país está bastante avançado nas áreas de produção, industrialização e transporte do produto. "Vou trabalhar para manter uma atmosfera positiva para que empresas como a Petrobras consigam concretizar seus objetivos", acrescentou.
Este setor tem garantido ao Catar uma grande liquidez em termos financeiros. A renda per capita por lá está entre as mais altas do mundo. Neste sentido, Nahes pretende atuar parar despertar o interesse de investidores locais no Brasil, especialmente para projetos nas áreas de energia e infra-estrutura.
Em sua visão o Catar pode ser também um pólo para empresas brasileiras interessadas em ampliar suas vendas para a região, já que o país é membro do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), ao lado de Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, o que lhe garante facilidades aduaneiras no comércio com as nações vizinhas.
Ainda na seara comercial, a criação de um vôo da Qatar Airways para o Brasil, programada para o próximo ano, é vista como um facilitador.
Para buscar estes objetivos, Nahes vai usar sua experiência de dois anos como coordenador no de seguimento da Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa) no Itamaraty. Neste período ele atuou na organização de uma série de reuniões de altos funcionários e ministros de governos árabes e sul-americanos e na elaboração de documentos sobre cooperação entre as duas regiões em diversas áreas. "Hoje nós temos um guarda-chuva institucional consolidado", afirmou.
Além da área econômica, Nahes tem interesse também na cooperação educacional e tecnológica. Segundo ele, o Catar tem atraído instituições internacionais de ensino e pesquisa a instalar unidades no país, com o objetivo de ampliar a capacitação de profissionais e da indústria locais. Para o diplomata, entidades brasileiras podem buscar parcerias neste segmento.
Nahes, de 55 anos, é formado em letras, pedagogia e ciências políticas e começou sua carreira diplomática em 1982. Antes de ser coordenador de seguimento da Aspa, ele serviu na missão do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, nas embaixadas brasileiras em Caracas, Damasco, Paris e Túnis e foi chefe da Divisão do Oriente Médio do Itamaraty. Ele é neto de árabes por parte de pai. Em Doha ele vai substituir o embaixador Paulo Dyrceu Pinheiro, que se aposentou.
Cúpula
Ontem Nahes foi recebido pela diretoria da Câmara Árabe na sede da entidade. Participou da reunião também o embaixador Arnaldo Carrilho, que agora é o responsável pelos assuntos da Aspa no Itamaraty.
Carrilho tem grande experiência no mundo árabe, pois já trabalhou em embaixadas brasileiras no Marrocos, Argélia, Arábia Saudita e Líbano. Seu último posto foi o de representante brasileiro junto à Autoridade Nacional Palestina (ANP), em Ramallah, na Cisjordânia. Com 45 anos de carreira diplomática, ele viveu 38 no exterior, com passagens também pela Itália, Polônia, Peru, Bolívia, Alemanha, Hong Kong, Tailândia e Austrália.
Entusiasta do intercâmbio cultural, o diplomata acredita que a cultura é um fator importante também para a ampliação das relações comerciais e políticas.
Além do presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr., estavam no encontro também o vice-presidente administrativo da entidade, Paulo Sérgio Atallah, o vice-presidente de marketing, Rubens Hannun, o secretário-geral, Michel Alaby, e os diretores Bechara Ibrahim, Sami Roumieh e Adel Auada.

