São Paulo – Empresas brasileiras vão aproveitar a etapa inicial do Campeonato de Fórmula Indy, que pela primeira vez vai ocorrer em São Paulo, em um circuito de rua, para fazer negócios com compradores internacionais. A corrida será realizada no dia 14 de março e vai servir como gancho para ações promocionais desenvolvidas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que desde o ano passado mantém um projeto em parceria a organização da categoria.
“É uma nova estratégia, que consiste em usar eventos esportivos para promover os produtos brasileiros”, disse à ANBA o diretor de Negócios da Apex, Maurício Borges. Em 2009, segundo ele, as ações desenvolvidas nas 17 etapas do campeonato nos Estados Unidos, Canadá e Japão renderam US$ 364 milhões para as companhias brasileiras participantes.
Este ano, como a categoria volta ao Brasil depois de um hiato de 10 anos, a Apex pretende trazer, junto com as entidades setoriais com quem mantém convênios de promoção, cerca de 300 compradores internacionais de diferentes setores. A Indy teve corridas no país de 1998 a 2000, no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
O foco principal do projeto é o mercado dos Estados Unidos, uma vez que a Indy é norte-americana e a maioria das corridas é realizada lá. Mas como a etapa será no Brasil, a Apex e as associações vão aproveitar para convidar empresários de outros países para conhecer as empresas nacionais, inclusive do mundo árabe.
Segundo Borges, a idéia é fazer com que os importadores usem os dias próximos ao evento para visitar os potenciais fornecedores brasileiros, além de realizar seminários sobre o Brasil, as oportunidades de negócios e de investimentos e, por fim, assistir a corrida.
O executivo disse, por exemplo, que a Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer), que mantém convênio com a Apex, quer trazer de 30 a 50 empresários de diferentes países, incluindo do mundo árabe, África e Ásia. É que a Revestir, principal feira do ramo no Brasil, ocorre poucos dias antes da prova, de 09 a 12 de março.
No ano passado, segundo a Apex, as ações de promoção realizadas junto com as etapas da Indy geraram contratos nos ramos de softwares, aeroespacial, alimentício, de biotecnologia, de produtos médicos e odontológicos, de móveis, de vinhos, petroquímico, de jóias, de cosméticos, entre outros.
A agência pretende trazer também potenciais investidores para conhecer as oportunidades existentes no Brasil. Já que se trata de um evento esportivo, devem ser apresentados projetos para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que vão ocorrer no Rio.
De acordo com Borges, o investimento no projeto para o biênio 2009/2010 é de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões, sendo que para este ano a expectativa de geração de negócios nas etapas da Indy é de US$ 400 milhões.
Nas demais corridas, são os empresários brasileiros que viajam a outros países, principalmente os EUA, e são organizados encontros de negócios com potenciais compradores locais. “É usar o esporte para fazer relacionamentos e mostrar os produtos”, declarou o executivo.
Etanol
Os carros da Indy em si servem como veículos de marketing para produtos brasileiros, pois desde o ano passado eles usam como combustível o etanol de cana-de-açúcar produzido por empresas brasileiras.
Esta semana, integrantes da categoria tiveram uma agenda promocional no Brasil. Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, em Brasília, os sete pilotos brasileiros que disputam o campeonato: Hélio Castro Neves, Tony Kanaan, Bia Figueiredo, Vitor Meira, Mario Romancini, Mario Moraes e Raphael Matos. Estavam presentes também cartolas e representantes de empresas e entidades ligadas ao evento.
Ontem o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, se reuniu com os pilotos nacionais no local onde será realizada a prova, nas proximidades do Anhembi. O Sambódromo, onde são realizados os desfiles das escolas de samba no carnaval, vai ser uma das retas do circuito. Kassab afirmou que a corrida deverá movimentar R$ 100 milhões na cidade, onde já ocorre todos os anos o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no Autódromo de Interlagos.

