Da redação
São Paulo – Dois diretores brasileiros do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) estão no Egito para ajudar o governo local a elaborar um programa de transferência de renda a exemplo do Bolsa Família, iniciativa do governo federal que garante uma renda mínima a famílias carentes. Com esse objetivo, a diretora do Cadastro Único para Programas Sociais, Lúcia Modesto, e o diretor de Gestão de Informação e Recursos Tecnológicos, Roberto Rodrigues, participam esta semana de um workshop no Cairo, que começa hoje (29) e segue até dia 04 de fevereiro.
Segundo informações do ministério, o encontro para a elaboração do programa egípcio é promovido pelo Consórcio Caminhos para o Fortalecimento das Mulheres (RPC – Pathways of Women’s Empowerment) do Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID). A idéia do programa é focar o público feminino, que como no Bolsa Família, também dá preferência por pagar o benefício às mulheres, desde que elas se comprometam com condições como a permanência dos filhos na escola e o acompanhamento da saúde familiar.
O workshop, que também vai reunir representantes de outros países que tiveram programas bem sucedidos na área, como Chile e México, vai servir para que os participantes troquem conhecimentos e experiências que possam contribuir para o bem-estar e a proteção social das famílias de baixa renda do Cairo. O programa egípcio está previsto para começar em abril deste ano.
Debates no Cairo sobre as ações da área social brasileira ocorrem desde 2005, quando o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, participou da Reunião Ministerial Árabe Sul-Americana Sobre Assuntos Sociais e Desenvolvimento na capital do Egito. No ano passado, ele voltou ao mesmo encontro. Autoridades de 34 países das duas regiões discutiram o combate à pobreza e à fome, a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, segurança alimentar e nutricional, intercâmbio de experiências e cooperação na área social entre governos e a sociedade civil.
Em agosto do ano passado, o ministro da Solidariedade Social do Egito, Ali El-Sayed Al-Moselhy, esteve no Brasil para saber mais sobre as ações sociais do país. Na ocasião ele assinou um acordo de cooperação com o ministro Ananias para levar ao seu país know-how na coleta de dados sobre famílias carentes, na integração entre diferentes ministérios para o monitoramento das condicionalidades e na articulação entre os setores público e privado. Na época, em entrevista à ANBA, ele disse que mais de 15 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza no Egito. A meta do governo egípcio é atender todas essas pessoas, que representam cerca de 20% da população, até 2011.

