Alexandre Rocha
São Paulo – O Brasil se comprometeu a ajudar o Líbano em áreas como comércio, saúde, qualidade da água, pecuária, fruticultura, habitação, capacitação profissional e formação de professores. De acordo com o Itamaraty, estes são alguns dos setores identificados como passíveis de cooperação durante missão multidisciplinar organizada pelo governo brasileiro ao país árabe na semana passada.
A delegação foi chefiada pelo diretor de Agência Brasileira de Cooperação (ACB), Luiz Henrique Pereira Fonseca, e pelo diretor do departamento de promoção comercial do Itamaraty, Henrique da Silveira Sardinha Pinto, acompanhados do chefe da divisão de operações de promoção comercial, Norton de Andrade Mello Rapesta.
A missão contou também com representantes de diversos órgãos do governo e da iniciativa privada, como o diretor da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Mustapha Abdouni. Uma das reuniões realizadas foi com o ministro da Economia e Comércio Exterior, Sami Haddad. "Falamos sobre como incentivar o comércio entre os dois países e o ministro mostrou interesse em organizar uma delegação de empresários libaneses para visitar o Brasil e também em mandar auxiliares seus para fazer um estágio na divisão de operações de promoção comercial do Itamaraty", disse Abdouni.
Um dos objetivos é incentivar as exportações do Líbano, pois hoje a balança comercial é muito favorável ao lado brasileiro. Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras ao país árabe renderam US$ 123 milhões nos primeiros nove meses de 2006, ante importações de apenas US$ 1,7 milhão.
O tema foi discutido também durante encontro com o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura de Beirute, Ghazzi Kraitem. "Falamos sobre estimular o comércio, com enfoque na importação pelo Brasil de produtos libaneses e na realização de investimentos brasileiros no país, sejam eles diretos ou por meio de joint-ventures", afirmou o diretor da Câmara Árabe.
De acordo com Abdouni, Kraitem elogiou a Câmara Árabe Brasileira e disse que conta com a ajuda da entidade para ampliar as relações comerciais com o Brasil. "Eu coloquei a Câmara à disposição para colaborar no quer for possível, uma vez que nós temos a missão de incentivar as relações entre os países árabes e o Brasil. Além disso, o Líbano é especialmente importante, já que a comunidade libanesa é muito grande no nosso país. São mais de 8 milhões de pessoas entre imigrantes e descendentes", declarou Abdouni.
Na Associação dos Industriais Libaneses, Abdouni ofereceu o espaço para eventos que a Câmara Árabe tem em sua sede, em São Paulo, para a realização de uma exposição de produtos libaneses e de encontros com empresários brasileiros. Ele sugeriu ainda a participação de companhias libanesas que produzem alimentos diferenciados na Expo Abras, feira brasileira do setor de supermercados.
A delegação teve encontros também na Idal, agência de promoção de investimentos do governo libanês, com o Conselho para o Desenvolvimento e Reconstrução e no Conselho Internacional de Negócios do Líbano. Este último convidou a Câmara Árabe a participar de suas atividades.
Os brasileiros visitaram também o local onde será realizada no ano que vem a feira Rebuild Lebanon e foram recebidos pelos organizadores do evento, que vai contemplar os setores de construção civil, eletricidade, infra-estrutura, telecomunicações, recursos hídricos, saneamento, saúde, agricultura, educação, segurança e tecnologias da informação.
Diplomacia e educação
Membros da delegação foram recebidos também pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Fauzi Sallukh, e da Educação, Khaled Khapani. De acordo com Abdouni, o titular da pasta da Educação disse que mesmo com os danos à infra-estrutura causados pelos ataques de Israel, o Líbano terá o ano letivo nas escolas "graças à ajuda de países amigos e de entidades internacionais que ajudaram na reconstrução e reforma das escolas, inclusive com a compra de material escolar".
Os integrantes da missão estiveram ainda na região sul de Beirute, atingida pelos bombardeios israelenses, e foram recebidos de forma calorosa pelos moradores locais. "Foi comovente a reação deles quando souberam que éramos brasileiros, encontramos inclusive com um garoto vestindo a camisa da Seleção Brasileira", afirmou Abdouni.
Também participaram das atividades o embaixador do Brasil em Beirute, Eduardo Seixas, além de representantes dos Ministérios da Educação, Minas e Energia e Saúde, da Caixa Econômica Federal, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e das construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez.

