Alexandre Rocha
São Paulo – O economista Walter Brasil Mundell acredita que a economia brasileira vai crescer mais em 2006 do que em 2005. "No próximo ano o Brasil vai ser uma das poucas economias emergentes do mundo que vai crescer mais do que em 2005", disse ele durante palestra realizada ontem (25) no Espaço Câmara Árabe em São Paulo, local para eventos da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Para ele, o país tem feito a lição de casa, com a manutenção pelo governo do superávit primário em um patamar elevado, que evita que a dívida pública cresça; a taxa de câmbio flutuante; e o controle da inflação pelo Banco Central. Em sua opinião, são avanços que acompanham o fortalecimento institucional do país. Mundell afirma que o Brasil não está mais tão vulnerável a crises como esteve no passado. "O Brasil melhorou muito", declarou.
Entre dados favoráveis, que contribuem para corroborar este pensamento, ele citou a inflação em queda nos últimos três anos; o superávit no balanço de pagamentos após anos de déficit; o forte crescimento da balança comercial; e a maior abertura da economia brasileira para o mundo. "Hoje quase 25% da produção industrial brasileira é exportada e o comércio exterior corresponde a quase 30% do PIB", declarou.
Agora, para Mundell, haverá espaço para uma política monetária mais branda, com a queda na taxa básica de juros, a expansão de investimentos no setor produtivo e uma acomodação da taxa de câmbio, já que hoje se considera que o real está muito valorizado frente ao dólar.
Na visão de Mundell, a globalização "foi a melhor coisa" que aconteceu com os países em desenvolvimento. "Desde 1993 as nações emergentes crescem mais do que a média mundial. Quanto mais as economias se integram, mais elas crescem", afirmou.
Sem paralelos
De acordo com ele, os países em desenvolvimento se aproveitaram do aumento dos preços das commodities no mercado internacional, impulsionado pelo bom desempenho da economia mundial. "Estamos vivendo uma época áurea da economia mundial, sem paralelo na história", declarou.
Com um crescimento anual acima dos 4%, a economia mundial tem como grandes propulsores, de acordo com ele, os Estados Unidos e a China. O primeiro cresce a uma taxa entre 3,5% a 4% ao ano e a segunda, acima de 9%. "A entrada da China na economia de mercado foi o evento de maior impacto na história da economia", afirmou.
Ele ressaltou, no entanto, que a economia internacional tem uma dinâmica delicada, que pode ser abalada principalmente por uma queda na renda do consumidor norte-americano, que hoje tem um apetite voraz. Isso, em sua avaliação, pode ser desencadeado pela continuidade do aumento do preço do petróleo, já em patamar bastante elevado. "Esta é a principal ameaça para a economia mundial", afirmou.
Mundell destacou, no entanto, que não espera que o valor da commodity continue a crescer no próximo ano. Isto, porém, parece ser inevitável no longo prazo. "O petróleo é o grande assunto internacional. Não só hoje, mas pelos próximos 10, 20 ou 50 anos", disse. "Mas em 2006 eu acho que a cotação estará mais baixa do que hoje", acrescentou.
Mundell, que tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, falou para um auditório lotado. Na Câmara Árabe ele foi recebido pelo presidente, Antonio Sarkis Jr., pelo presidente do Conselho, Walid Yazigi, e pelo vice-presidente de comércio exterior, Mario Rizkallah. O evento fez parte do programa "Encontros Câmara Árabe", que a entidade realiza há seis anos.

