Isaura Daniel, enviada especial
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Dubai – A presença brasileira em Jebel Ali, zona franca de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, vai dobrar até o final do ano. O local já abriga três companhias do Brasil e deve receber mais três até o final do ano. Atualmente, Marcopolo, fabricante de carrocerias para ônibus, Fras-le, de autopeças, e a trading AFT, representante da Busscar, indústria de carrocerias, têm bases no local. Até o final do ano outras três companhias das áreas de autopeças, pedras ornamentais e equipamentos odontológicos vão se estabelecer na zona franca utilizando o centro de distribuição da Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). As empresas que já estão no local têm estruturas independentes da Apex-Brasil.
A zona franca de Jebel Ali foi visitada ontem (27) pela missão empresarial brasileira do setor de construção que está em Dubai. Além dos empresários integrantes da missão promovida pela Apex-Brasil e Câmara de Comércio Árabe Brasileira, se juntaram ao grupo empresários de Santa Catarina. Eles estão na região como parte de uma missão organizada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), com apoio da Câmara Árabe. Os empresários das duas delegações ouviram uma breve apresentação sobre a zona franca, feita pelo executivo de vendas do projeto para América e África, Ahmed Al Haidan.
Eles também escutaram palestras sobre a experiência de uma empresa que já está instalada na zona Franca, a AFT, e sobre a Engeprot, prestadora de serviços na área de construção do Brasil que tem base em Dubai, mas fora de Jebel Ali. O grupo conheceu o centro de distribuição da Apex-Brasil, que fica dentro da zona franca. O local pode ser utilizado para armazenagem de produtos brasileiros. É o que vão fazer as três novas companhias do Brasil que se instalarão no local. A informação foi repassada à missão ontem pela gerente operacional do centro de distribuição, Fabiana Giuntini Giffoni.
Para ter uma base na zona franca, as companhias necessitam ter um endereço no local e licença comercial. As três empresas brasileiras, segundo Fabiana, devem começar a utilizar o centro até o final deste ano. Ele foi colocado em operação em abril de 2007 e esta será a sua primeira utilização, segundo a gerente. O uso é pago, mas, de acordo com Fabiana, é muito mais barato do que outros espaços similares na zona franca. A estrutura tem 556 metros quadrados, o que custa para a Apex-Brasil US$ 60 mil por ano. A agência aluga o espaço, mas pretende construir, mais adiante, uma base própria no local.
Ele oferece desde local para escritório até armazenamento, preparação de cargas e entrega do produto. A Apex-Brasil também está reestruturando o centro para oferecer ainda o serviço de inteligência comercial, de acordo com a gerente. Ou seja, vai ajudar as empresas a encontrarem parceiros comerciais locais. A Apex-Brasil também está estudando como receber alguns tipos de produtos que hoje não podem ser armazenados no centro, como alimentos e cosméticos, que precisam de refrigeração. Nos períodos de maior calor, a temperatura interna do local chega a 60 graus.
Movimento
A zona franca de Jebel Ali abriga atualmente mais de seis mil empresas dos setores de indústria, comércio e serviço. No local estão desde companhias como Volvo, JVC, Sony e Philips até Dior e Swarovski. A área de atuação das empresas vai do comércio, aos serviços e à indústria. A zona franca movimentou, no ano passado, US$ 37 bilhões. Ela foi criada pelo governo de Dubai em 1985 e é operada atualmente pela DP World, que também é controlada pelo governo local, e é uma das maiores operadoras de terminais portuários do mundo.
No ano passado, o porto movimentou 8,92 milhões de contêineres, com crescimento de 17%. Em 2005 o crescimento havia sido de 14%. Partindo do local em navio, as mercadorias levam 14 dias para chegar à Europa, nove para a Ásia, 20 para o Japão e 18 para a Austrália. O porto de Jebel Ali é o oitavo maior do mundo.
Para se instalar na zona franca, as empresas têm uma série de vantagens. Uma delas é a possibilidade de ter 100% de capital estrangeiro. Fora da área de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos, é preciso ter um parceiro local no negócio com 51% para estabelecer uma empresa. As mercadorias que saem da zona franca para outros mercados, no exterior, não pagam imposto. O local também já tem toda uma infra-estrutura formada para a exportação. Quem não quer investir em um estabelecimento próprio, por exemplo, pode alugar escritórios no local. O carregamento de contêineres ocorre 24 horas por dia.

