Alexandre Rocha
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São Paulo – A partir de maio, o governo brasileiro vai promover uma série de cursos de capacitação para profissionais libaneses em diversas áreas. A iniciativa capitaneada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), órgão ligado ao Itamaraty, faz parte dos compromissos de ajuda ao país árabe assumidos pelo Brasil após os ataques de Israel em julho e agosto do ano passado.
Nos meses de maio e junho deverão ser realizados cursos nas áreas de tecnologia bancária, fundos de garantia, operações de microcrédito, gestão de resíduos sólidos, incluindo coleta, triagem e reciclagem de lixo, e tecnologias da informação, especialmente no que diz respeito à legislação sobre assinaturas digitais e compras públicas on-line. Neste primeiro programa, 10 libaneses virão ao Brasil para receber a capacitação da Caixa Econômica Federal (CEF).
"São profissionais indicados pelo governo libanês que vão atuar nestas áreas, já são pessoas de alguma experiência", disse à ANBA o coordenador de cooperação técnica para países em desenvolvimento da ABC, Edson Monteiro. No caso do lixo, por exemplo, a CEF tem experiência no desenvolvimento de projetos de gestão em parceria com prefeituras. "A idéia é ensinar como planejar, até para que o país possa montar seus próprios projetos", acrescentou.
De acordo com o Itamaraty, os libaneses que virão ao Brasil são do Fundo para o Desenvolvimento Econômico e Social, órgão vinculado ao Conselho para o Desenvolvimento e Reconstrução Libanês e ao Ministério da Reforma Administrativa. Os custos do intercâmbio, no entanto, serão bancados pelo governo brasileiro.
A partir de maio também outros 15 profissionais libaneses estarão no Brasil para ter cursos sobre tratamento, controle e monitoramento da qualidade da água, resposta rápida para controles de surtos e epidemias e revisão dos protocolos de patologia. Nestes casos, porém, os treinamentos serão oferecidos pelo Ministério da Saúde.
O Itamaraty prevê também, ainda no primeiro semestre deste ano, a realização de cursos de capacitação em produção de frutas tropicais, técnicas de irrigação e criação de gado, oferecidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Conforme a ANBA antecipou em dezembro último, três pesquisadores da Embrapa estiveram no Líbano no final do ano passado para fazer um levantamento detalhado destas três áreas no país.
Missão
O Brasil assumiu compromissos de ajudar o país na Conferência Internacional de Doadores para o Líbano, realizada em Estocolmo, na Suécia, em agosto do ano passado, e na Conferência Internacional de Paris de Apoio ao Líbano, em janeiro deste ano. Em outubro de 2006, o Itamaraty organizou uma missão ao país árabe e foram identificadas várias áreas de cooperação. A missão teve a participação de representantes de diversos órgãos públicos e privados, inclusive a Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
"Já tínhamos estudos com informações sobre o Líbano, sobre seu programa de reconstrução, vimos quais eram as necessidades deles e em quais delas tínhamos experiência. Com base nisso nós definimos algumas atividades", disse Monteiro. "A idéia é dar cooperação para o desenvolvimento", acrescentou.
Para o futuro, o diplomata diz que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que participou da missão em outubro, deverá auxiliar na criação de um programa libanês de aprendizagem profissional. Ele não descarta também a possibilidade de brasileiros irem ao país árabe para dar cursos ou participar de seminários. "A cooperação tende a ser permanente", concluiu.

