São Paulo – Alimentos produzidos no Brasil serão promovidos em Omã em outubro deste ano numa ação voltada especialmente para o comércio entre os dois países, segundo acerto feito entre o ministro da Indústria e Comércio do país árabe, Ali Al-Sunaidy, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Armando Monteiro. Eles se reuniram nesta quinta-feira (04), em Brasília, por ocasião da visita de uma delegação governamental e empresarial de Omã ao Brasil, liderada por Sunaidy.
A delegação governamental de Omã participou também da primeira reunião da Comissão Mista Bilateral Brasil-Omã nesta quinta-feira em Brasília e assinou um memorando de entendimento sobre cooperação em promoção de investimentos com o Brasil, conforme antecipou a ANBA na quarta-feira (03). O documento foi firmado entre o Ministério de Relações Exteriores do Brasil e a Autoridade Pública para Promoção do Investimento e Desenvolvimento do Comércio do Sultanato de Omã.
Entre as discussões da reunião da comissão mista estiveram um acordo sobre vistos diplomáticos e de turismo entre Brasil e Omã. Segundo o subsecretário-geral de Assuntos Políticos para a África e o Oriente Médio do Itamaraty, Fernando Abreu, a discussão do acordo, que dispensa de visto de pessoas com passaporte oficial e diplomatas, além de turistas que permaneçam no país menos de 30 dias, está bastante avançada.
A delegação de Omã teve nesta quarta-feira o seu segundo dia de atividades no Brasil. O grupo começou a programação na terça-feira, em São Paulo, com visitas ao vice-presidente Michel Temer e ao vice-governador do Estado, Márcio França, rodada de negócios na Câmara de Comércio Árabe Brasileira e seminário empresarial na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Um dos temas bastante discutidos, tanto na capital paulista quanto na capital federal, foi a necessidade de suprimento de alimentos de Omã pelo Brasil, já que a nação árabe produz apenas 25% do que consome. Os omanitas apresentaram seu país também como uma porta de entrada para outros mercados, como Irã, Índia, Paquistão e Afeganistão.
De acordo com o diretor geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que acompanhou as atividades da delegação omanita, o mercado destes países juntos representa dois bilhões de pessoas. Na reunião com Monteiro, Sunaidy sugeriu a realização de uma feira em seu país, pensando em apresentar os alimentos do Brasil aos mercados de Omã e de países próximos. Monteiro se comprometeu a ir e chefiar a delegação brasileira em outubro. “A ideia é que muitas empresas [brasileiras] participem”, disse Abreu por telefone à ANBA.
Investimentos
O memorando sobre investimentos assinado durante a reunião da Comissão Mista servirá de amparo institucional para cooperação até a assinatura de um acordo de cooperação financeira e de investimentos que os dois países estão negociando, segundo informações de Fernando Abreu. O acordo futuro deverá servir para garantir os investimentos de um país no outro, explica o subsecretário. O texto do memorando já assinado afirma que as duas partes vão buscar desenvolver atividades de promoção de investimentos, apoiar missões empresariais, projetos de investimentos, informar a outra parte sobre seu ambiente de investimentos, promoverão intercâmbio de cursos de formação e peritos, entre outras ações.
A autoridade brasileira que recebeu o ministro omanita na comissão mista em Brasília foi o ministro interino de Relações Exteriores, Sérgio França Danese. O ministro titular, Mauro Vieira, está fora do País. De acordo com Abreu, entre os outros temas discutidos estiveram a manifestação do interesse de Omã pelo investimento em portos no Brasil, a possibilidade de cooperação na capacitação de pequenas empresas e de cooperação técnica em agricultura, inclusive envolvendo terceiros países.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) oferece cursos em três línguas em seu site, que poderá ter o acesso dos omanitas, segundo conversas do encontro da comissão. No caso da cooperação triangular em agricultura, num terceiro país, que poderia ser o Sudão, por exemplo, os alimentos seriam plantados com ajuda do Brasil para fornecimento a Omã.
Fernando Abreu destacou também as atividades empresariais ocorridas em São Paulo. Segundo ele, “há grandes expectativas e possibilidades de negócios” a partir delas.
No encontro que teve com Temer, no escritório do vice-presidente, em São Paulo, Sunaidy foi acompanha do presidente da Câmara Árabe, Marcelo Sallum, e do embaixador de Omã no Brasil, Khalid Al-Jaradi. Temer se colocou à disposição para ser o contato entre Brasil e Omã, tanto para assuntos governamentais como para o setor privado. Ele afirmou que está no radar uma visita ao Oriente Médio este ano e elogiou o trabalho da Câmara Árabe. Temer foi convidado para uma visita a Omã por Sunaidy. O vice-presidente já visitou o país árabe, em 2013, quando foi firmado o acordo que criou a Comissão Mista Bilateral.
A agenda da delegação omanita em Brasília foi acompanhada por Alaby, pelo gerente de Relações Governamentais da Câmara Árabe, Tamer Mansour, pelo embaixador Jaradi, entre outras autoridades e assessores. Omã abriu sua embaixada no Brasil em 2010.


