São Paulo – O Brasil aumentou expressivamente as suas exportações de arroz para os países árabes entre janeiro e maio deste ano. As vendas saíram de US$ 8,3 mil nos cinco primeiros meses do ano passado para US$ 694,9 mil no mesmo período deste ano. Grande parte da receita obtida foi para o estado do Rio Grande do Sul, que respondeu por mais da metade – ou US$ 390,4 milhões – das vendas realizadas. O outro estado brasileiro que exportou a commodity para as nações da Liga Árabe foi Santa Catarina.
Os produtores e indústrias brasileiras enviaram, ao mundo árabe, 1,1 mil toneladas de arroz no período. Entre os meses de janeiro e maio de 2007 as vendas alcançaram apenas 19,9 toneladas. Quatro países árabes compraram arroz do Brasil no acumulado do ano até maio. A Síria e a Jordânia foram as maiores compradoras do arroz nacional na região, cada uma com 375 toneladas adquiridas. Em seguida veio o Líbano, com 250 toneladas, e depois a Argélia, com importações de 150 toneladas.
De acordo com o diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Rubens Silveira, o Oriente Médio é atualmente o segundo maior importador mundial de arroz, atrás apenas do continente africano. A região importa, ao ano, 6,1 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul, segundo ele, vem fazendo um esforço para exportar mais arroz para a região. Entre janeiro e maio deste ano, os gaúchos exportaram US$ 58,7 milhões em arroz. As vendas para os árabes, apesar de crescente, ainda são “incipientes”, segundo Silveira.
“Mas é um mercado que tem potencial e temos interesse em exportar mais para eles”, diz o diretor comercial. No começo deste ano o estado organizou uma missão para os Emirados Árabes Unidos, que reuniu representantes do governo, setor agrícola, industrial e de serviços, na qual um dos temas tratados foi a venda de arroz. O Rio Grande do Sul é responsável por 60% da safra de arroz do Brasil. Tratando-se de arroz irrigado, de maior qualidade, a participação do estado sobe para 85%. Silveira explica que até o ano passado, o que o Brasil exportava era o arroz de sequeiro, para a África, de menor qualidade.
Enquanto a produção nacional é atualmente de 2,8 mil quilos por hectare em média, os gaúchos conseguem colher sete mil quilos por hectare. O esforço do estado para exportar partiu justamente do aumento da produtividade. Desde 2003, o Rio Grande do Sul leva adiante um programa para melhorar a produtividade. Na época, a produção estava em 5,5 mil quilos por hectare. A meta é chegar a 10 mil quilos por hectares. Para escoar essa produção, o estado implementou também um programa de exportação, diz Silveira.
Silveira lembra, porém, que grande parte da produção de arroz está concentrada na Ásia, 94% do arroz do mundo é produzido no continente e 93% também é consumido no local. O Brasil produz cerca de 12 milhões de toneladas de arroz e consome 13 milhões. Como o país importa a commodity, porém, principalmente dos seus vizinhos Argentina e Uruguai, há espaço para exportar. O Rio Grande do Sul exportou, no ano passado, 313 mil toneladas de arroz. Em 2004, o volume estava em 53 mil toneladas.

