São Paulo – A fintech brasileira DUX garantiu nesta terça-feira (9) uma vaga para a final da FinTech World Cup, que ocorrerá em maio do ano que vem em Dubai, no Dubai FinTech Summit 2026. Voltada para as finanças da economia criativa, a empresa foi a vencedora da classificatória brasileira, que ocorreu na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, na capital paulista. A FinTech World Cup é promovida pelo hub de inovação em finanças Dubai International Financial Centre (DIFC), dos Emirados Árabes Unidos.
“A gente tem como missão na DUX ser um banco da economia criativa, mas ser o maior banco da economia criativa para o Sul Global. Então, poder ir para Dubai é meio caminho andado”, disse para a ANBA, após saber o resultado, o CMO da DUX, João Pedro Novochadlo, que representou a empresa no pitch da classificatória nacional. A competição será a primeira internacional da fintech. “É o primeiro país que a gente vai visitar para tentar expandir os nossos negócios”, afirma o brasileiro, nascido em Curitiba.

Ciente de adaptações que podem ser necessárias para expandir o negócio para o mundo árabe, em função das finanças islâmicas adotadas pela região, João Pedro se mostra satisfeito por poder se conectar com um mundo diferente e afirma que a DUX vai tentar identificar oportunidades nos Emirados Árabes Unidos. Falando da viagem para Dubai, ele vislumbra também intercâmbio: diz que verá o que será possível absorver lá e trazer para o Brasil, e, ao mesmo tempo, compartilhar o que é feito no Brasil com as pessoas de lá.
A DUX antecipa pagamentos para profissionais da economia criativa. “Um dos desafios da economia criativa hoje é o fluxo de pagamento. Então, quando um artista, um criador de conteúdo, uma agência, um produtor realiza um serviço ou entrega alguma campanha, ele precisa esperar de 60 a 120 dias para receber esse dinheiro. E o que a gente faz? A gente entra no meio dessa negociação e antecipa esse dinheiro”, diz. O percentual cobrado varia segundo fatores como quem é o pagador, o criativo, como é o contrato.

A DUX foi criada por João Pedro, formado em Publicidade, com pós-graduação em Tecnologia Social e mestrado em Empreendedorismo Social, e por outros três fundadores, compondo um mix de expertises de profissionais em Direito, Engenharia Empresarial e Administração, áreas de formação do grupo. “Há uns dois, três anos, a gente se reuniu e, do último ano para cá, decidiu atacar esse problema”, afirma, sobre a solução proposta pela fintech, de preencher o gap nas finanças da economia criativa.
A classificatória nacional elegeu apenas uma fintech para competir na final em Dubai, mas outras duas participantes também foram destacadas, em segundo e terceiro lugares, e todas estão convidadas para participar do Dubai FinTech Summit 2026, apesar de que só a DUX estará na competição. A Smart Rent, de aluguel consignado, obteve a segunda colocação na competição na Câmara Árabe e o Parabank, banco digital voltado para Pessoas com Deficiência (PCD), ficou em terceiro lugar. Também participaram Atho Capital, Credito Open, Ella Bank, Gooroo Crédito, Green Balance, InvestPlay e Loor.
Foram jurados na competição o presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Diego Perez, o CEO da Equitas, Hassan Ghandour, e diretor do Escritório Internacional da Câmara Árabe em Dubai, Rafael Solimeo. A competição na Câmara Árabe foi aberta pela vice-presidente de Marketing da instituição, Silvia Antibas, que destacou o papel do DIFC no ecossistema de inovação financeira, apresentou o trabalho da Câmara Árabe e as suas ações em prol da digitalização nos negócios internacionais, da área social e da cultura. “Quanto melhor conhecermos o outro, mais fácil será fazer negócios”, disse.
O head de Negócios do DIFC Innovation Hub, Steve Gotz, deu seu recado aos participantes na abertura da competição, por meio de um vídeo. “Uma das razões pelas quais o DIFC se associa a essa jornada é porque acreditamos que o empreendedorismo não deve ser limitado por fronteiras, passaportes ou fusos horários. Alguns de vocês estão criando soluções para pessoas sem acesso a serviços bancários ou com acesso limitado a eles. Alguns de vocês estão trabalhando com pagamentos internacionais, financiamento de PMEs, finanças verdes, regtech ou ativos digitais”, afirmou ele.
A chefe de expansão da FinTech World Cup para América Latina, Melisa Urtuzuastegui, representante da Branding Matters, contou aos presentes sobre a organização da competição no México em abril. “No México, as pessoas vinham e diziam: “Estamos tão focados nos Estados Unidos e no Canadá, e vocês nos mostram um mundo diferente. Há muitas oportunidades no Oriente Médio”, descreveu ela. Ela convocou as fintechs brasileiras a prestarem atenção na região. “Compartilhem com seus colegas a importância deste mercado e o trabalho que a Câmara está fazendo na construção dessas pontes”, disse Melisa.
Além da competição, o evento em São Paulo comportou apresentações da Câmara Árabe sobre os seus serviços e sua plataforma digital. O analista de Negócios Internacionais, Gustavo Fasanaro, falou sobre a Câmara Árabe e seus diferentes ramos de atuação, inclusive o CCAB Lab, que é o hub de inovação da instituição. A Product Owner do Departamento de Tecnologia e Inovação da Câmara Árabe, Helena Fernandes, apresentou a Plataforma Ellos, sistema que centraliza o processo de exportação do Brasil para os países árabes, encurtando prazos, custos e simplificando a operação.
Os parceiros e patrocinadores do evento foram trescon, Dubai FinTech Summit, ignyte, Matters Group, Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Branding Matters, Equitas, CCAB LAB, Sebrae Startups e Vtex. A disputa em São Paulo teve organização do CCAB Lab. O mestre de cerimônias foi Américo Fazio.
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