São Paulo – Com ideias novas e muita vontade de fazer seus negócios darem certo, uma brasileira e uma jordaniana chegaram à final do “Prêmio Empretec Mulheres nos Negócios”, cuja ganhadora será conhecida em Doha, no Catar, em abril de 2012, durante a 13ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês). O Empretec é um programa de treinamento e motivação promovido pela Unctad para encorajar o empreendedorismo em países em desenvolvimento. O prêmio tem também como finalistas empresárias do Equador, El Salvador, Etiópia, Nigéria, Panamá, Uganda, Vietnã e Zimbábue.
Patrícia Giordani fundou a empresa Moura e Paz Soluções Ambientais em 2009, a partir de uma experiência pessoal desagradável, que ela conseguiu transformar em uma ótima oportunidade de negócio. Dentista com 20 anos de carreira, em 2007 ela foi multada pela vigilância sanitária por não encaminhar corretamente os resíduos produzidos por sua clínica. A multa, no entanto, não foi somente para ela, mas para toda a classe odontológica, médica e veterinária de sua cidade, Vilhena, no sul do estado de Rondônia.
“Isto gerou muita polêmica”, conta Patrícia, que pesquisou para onde poderia destinar os resíduos de seu trabalho e não encontrou em Rondônia uma empresa que pudesse fazer a coleta adequadamente. “Vou montar uma empresa dessas, pensei. Já que no nosso estado não existe.” Assim, tomou a decisão de criar seu próprio negócio. Antes, foi estudar e fazer muita pesquisa para saber quais os requisitos que a nova empresa deveria atender. Fez pós-graduação em Gestão, Auditoria e Perícia Ambiental e buscou novas tecnologias, como uma máquina que queima os resíduos e lava a fumaça, liberando somente os gases tratados.
No entanto, o início não foi fácil. Ela enfrentou a resistência de antigos colegas e de outros profissionais que também haviam sido multados. Mesmo sem um único cliente no primeiro ano de seu negócio, ela persistiu e conquistou os primeiros clientes no estado vizinho, Mato Grosso. Hoje, ela atende mais de 700 empresas nos dois estados, tratando de resíduos hospitalares, industriais e outros considerados perigosos. Sua perseverança já a levou a vencer o prêmio Sebrae Mulher de Negócios, concedido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Agora, com a possibilidade de ver seu trabalho mais uma vez premiado, ela destaca a importância de seu negócio para a região onde vive. “Eram toneladas de lixo, de resíduos perigosos que iam para um lixão a céu aberto. Fico emocionada de estar fazendo alguma coisa pelo meio ambiente. Nosso trabalho é de utilidade pública”, afirma. Entre seus atuais clientes estão nomes conhecidos como Toshiba, Votorantim Cimentos e M. Martins. Em algumas destas indústrias, Patrícia também dá palestras sobre preservação do meio ambiente. Com um investimento inicial de R$ 5 milhões, hoje a Moura e Paz tem um faturamento mensal de cerca de R$ 300 mil.
Farmácias
A jordaniana Raghda Kurdi também mudou o panorama de seu setor de atuação, o farmacêutico. Depois de trabalhar em uma farmácia e em uma indústria do ramo, ela decidiu criar a Pharma Serve, empresa que presta uma série de serviços a pequenas farmácias de Amã, capital da Jordânia, e seu entorno.
“Treinamos funcionários, implementamos softwares, fazemos a contabilidade, coletamos seguro e cuidamos dos investimentos destas farmácias”, conta. A empresa foi fundada em 2006 e hoje conta com 26 funcionários que atendem a 70 clientes. Além dos serviços mencionados, a empresa de Raghda faz a compra de medicamentos das indústrias e as revende a pequenas farmácias por um preço mais barato do que elas conseguiriam se fizessem a compra individualmente.
“Fiquei muito feliz [pela indicação ao prêmio], porque no empreendedorismo você assume todo o risco do negócio”, declarou. Ela diz ainda que espera que o fato de estar na final do Empretec possa incentivar outras mulheres do Oriente Médio a iniciarem seus próprios negócios. “É muito importante que as mulheres vejam o que [elas também] podem fazer”, diz.

